Serra: 'Chávez é dilmista, e PT é chavista'

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, tentou hoje colar a imagem de sua adversária Dilma Rousseff (PT) ao polêmico presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Chávez já declarou voto na Dilma. Chávez é dilmista, e PT é chavista", afirmou em sabatina da Rede Record, em São Paulo. O tucano rebateu ainda críticas de petistas, que o classificaram como integrante da "direita troglodita". "Troglodita de direita é quem apoia o Ahmadinejad que está matando mulheres a pedradas", disse em referência ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

29 Julho 2010 | 17h45

Serra disse considerar "uma bobagem" os rótulos de esquerda e direita, apesar de se considerar de esquerda. "Marco Aurélio Garcia é de direita, totalmente, não tem nada de esquerda", retrucou. "Falar de esquerda é falar em direitos humanos, em políticas efetivamente populares, de curto, médio e longo prazo, não no jogo de grupos econômicos."

O tucano voltou a defender seu candidato a vice, Indio da Costa (DEM-RJ), que acusou o PT de ter ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs). Para Serra, o PT "se iludiu" e tratou narcotraficantes como militantes políticos.

Máquina pública

José Serra comprometeu-se hoje a cortar cargos comissionados da administração federal, caso seja eleito. "Eu vou dar uma enxugada no desperdício. Tem excesso de cargo comissionado", disse. "Cargo em comissão significa nomear uma pessoa que não fez concurso e pode não ter nenhuma capacidade para a função. Boa parte deles é emprego político" reiterou.

Ainda sobre o combate ao desperdício na máquina pública, José Serra esclareceu que vai enxugar os cargos comissionados, não os concursados. E citou que em sua administração abriu vagas por meio de concursos, porque essa é uma maneira saudável de nomear funcionários para o governo. O tucano afirmou também que para montar equipes, escolhe sempre os mais capacitados e não faz diferenciações de natureza partidária.

Sem-terra

Na sabatina, o candidato do PSDB afirmou que se o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lutasse, de fato, pela reforma agrária, apoiaria o presidenciável do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. O tucano classificou os integrantes do MST como "fisiológicos". "Não tem nada de movimento social", disse.

"Se MST fosse pela reforma agrária, estaria apoiando Plínio de Arruda Sampaio, que foi exilado por ser relator de projeto pela reforma agrária, é o patriarca da reforma agrária", disse Serra.

Mensalão tucano

O candidato do PSDB negou hoje a existência de um suposto mensalão tucano, envolvendo o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB-MG). "Uma coisa é financiamento de campanha, a outra é tirar dinheiro no banco para encaminhar votações", disse em referência ao suposto mensalão do PT. "São fenômenos diferentes."

Serra defendeu o colega de partido, que responde na Justiça pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, foram desviados R$ 3,5 milhões de estatais para beneficiar a campanha de Azeredo pela reeleição para o governo de Minas, em 1998. "Azeredo é um homem correto, direito, nunca recebeu ou deu dinheiro para votar."

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