Serra ataca Lula ao anunciar obras

Governador prometeu investir R$ 3,9 bilhões em estradas

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

Em evento para anunciar um programa bilionário para recuperação das estradas paulistas, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), fez ontem duras críticas ao governo Lula e não descartou a sua candidatura à Presidência da República. Favorito nas pesquisas para a corrida ao Palácio do Planalto, o tucano fez ainda um pedido público à sua equipe: que as obras apresentadas sejam entregues até março de 2010. Em abril, seis meses antes da eleição, vence o prazo para as desincompatibilizações.Até 2010, a gestão Serra promete recuperar mais de 7 mil km de rodovias e pavimentar 3 mil km de estradas de terra ao custo de R$ 3,9 bilhões. Isso é mais que o triplo do investido na primeira metade do governo no programa Pró-Vicinais. O plano é vitrine da administração Serra e promessa de campanha do governador.Para uma plateia de mais de 400 prefeitos, o governador, ao negar o caráter eleitoreiro na ampliação do programa nos próximos dois anos, pela primeira vez, mencionou a possibilidade de se lançar candidato à Presidência em 2010. "É um programa de governo, que estaríamos fazendo em qualquer situação: se eu fosse largar a vida pública, se fosse me candidatar à reeleição ou me candidatar a presidente", disse. À frase de Serra seguiram-se aplausos e manifestações a favor da postulação. Um pedido feito pelo governador durante o discurso, de quase 52 minutos, alimentou as especulações sobre o seu futuro político. "A Secretaria dos Transportes diz que vai ser em abril (a conclusão das obras). Eu não vou me comprometer. Será em 2010. Mas vamos perseguir para que seja até antes, em março, pelo menos", sugeriu. Serra enumerou uma lista de realizações da sua gestão e não economizou nos contrapontos e críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O custo dessa reforma é metade de uma vicinal nova. Não é brincadeira. Não é um programa de tapa-buraco. É fazer a estrada de novo", alfinetou, referindo-se ao plano emergencial feito pelo governo federal para a recuperação de estradas. Pouco antes, o presidente estadual do PSDB em São Paulo, Mendes Thame, foi mais contundente nas críticas à gestão petista. "Há aqueles que se alienam, não leem jornais, têm azia. E há outros que enfrentam a crise. O que assistimos aqui hoje é um exemplo da extraordinária capacidade do governo de São Paulo de enfrentar momentos difíceis."No quesito elogios ao próprio governo, Serra afirmou: "Não governamos segundo a cor partidária e, modéstia à parte, temos sido exemplo na área de gestão".EMPREGOSProsseguindo nas comparações, o tucano mudou o foco para a crise mundial. "Essas vicinais novas vão permitir gerar em São Paulo 36.400 empregos diretos e 108 mil indiretos. Isso não é brincadeira num momento de crise." E provocou: "Estamos dando uma contribuição importante, mas restrita. O governo de São Paulo não tem política monetária, cambial ou fiscal". Foi a senha para disparar mais uma vez contra Lula. "Agora mesmo estava olhando umas tabelas. Todos os países do mundo reduziram juros, menos o Brasil e a Rússia, esta por uma situação peculiar", destacou. "Sem dúvida, é o fator que está mais contribuindo para que o Brasil não adquira confiança necessária para sair da crise."Serra também requereu a paternidade de um dos maiores feitos do governo Lula. "Dos 3,7 milhões de empregos criados no Brasil desde janeiro de 2007, 1,4 milhão, ou quase 40%, foi em São Paulo, que tem 23% da população. Isso não está separado dos nossos investimentos no Estado", comentou.Para 2009, o governo paulista prevê investimentos de R$ 19 bilhões. É quase o total do que foi investido em 2007 e 2008, R$ 22 bilhões.

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