Serra aposta em parcerias para impulsionar economia

Empunhando a bandeira do crescimento econômico e com o compromisso de fazer um governo mais popular, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assume nesta segunda-feira o maior Estado do País - 38 milhões de habitantes - e, com ele, o segundo Orçamento mais gordo - R$ 84,5 bilhões para 2007. Tanto dinheiro, no entanto, não será suficiente para financiar o principal projeto da gestão Serra: a retomada do desenvolvimento da economia paulista, informou o Estado.O tucano sabe que para emplacar seu plano não poderá contar somente com a máquina do Estado. Parcerias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva serão decisivas. Para a equipe de Serra, esse será o principal nó a ser desatado pelo novo governo: costurar com sucesso esses acordos e a tempo de colocá-los em prática nos próximos quatro anos.Na berlinda estão dois dos projetos estratégicos: a construção do ferroanel e a transferência da administração do Porto de Santos para o governo do Estado. Ambos visam a otimizar o escoamento da produção paulista e, assim, aquecer a economia. "Estamos num momento propício. Tanto Lula quanto Serra estão começando um governo e isso ajuda muito nessas negociações. É fôlego novo dos dois lados", avalia o secretário estadual do Planejamento, Francisco Luna. "Sem dúvida, esse é o principal desafio na próxima gestão. São projetos decisivos, complexos e fundamentais para a economia, que, se não forem articulados desde o início do governo, você não consegue tirar do papel". O ferroanel, orçado em R$ 2 bilhões, está engavetado há mais de dez anos e prevê financiamento prioritário do governo federal e da iniciativa privada. No caso do porto, Serra quer o aval de Lula para assumir a unidade e promover uma modernização para ampliar a capacidade de exportação. Mas a reforma do porto não é a única frente de ataque. Para aumentar as exportações, Serra tem ainda como plataforma promover uma guinada no agronegócio. A proposta é adotar a política de risco sanitário zero, que significa melhorar a qualidade dos produtos paulistas para valorizá-los no mercado. Para chegar lá, porém, o governador terá um outro nó a resolver. O sucesso não depende apenas de São Paulo e ele terá que conseguir dos Estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e Paraná, o mesmo compromisso. PrevidênciaAntes disso tudo, uma questão mais urgente baterá à porta do tucano. Serra terá 40 dias a partir desta segunda-feira para encontrar uma solução para a Previdência estadual, sob o risco de ter suspensos pela União os repasses de verba para São Paulo. Para 2007, são R$ 8 bilhões em jogo. No dia 11 de fevereiro, o Certificado de Regularidade Previdenciária do Estado (CRP) perderá sua validade. A renovação, junto ao Ministério da Previdência, só pode ser feita se o Estado estiver em dia com as regras da reforma da Previdência. E não é o caso de São Paulo. Nos últimos três anos, o Estado só obteve o CRP - que deve ser renovado a cada três meses - por via judicial. É o que deve tentar também o governo Serra. A questão previdenciária apareceu no diagnóstico feito pelo governo de transição como o principal gargalo das finanças estaduais. O rombo é de cerca de R$ 800 milhões por mês. A não-aprovação do Orçamento de 2007 é outra pendência carente de resposta imediata. Os tucanos têm pressa. ?Só depois disso é que mudaremos a rota do governo e começaremos, de fato, a executar o programa do Serra?, disse Luna. Enquanto a peça não for votada, o governador poderá gastar somente 1/12 do Orçamento por mês, sem dispor de eventuais excessos de arrecadação. Mas a expectativa é que esse não seja um grande problema. A avaliação dos tucanos é de que Serra terá maioria na Assembléia Legislativa.FinanciamentosAmpliar a capacidade de investimento do Estado para dar conta de todas as promessas é outro desafio para o novo governo. Serra aposta nos financiamentos internacionais para driblar o cobertor curto e cumprir suas promessas. A peregrinação pelos bancos estrangeiros começou logo depois da sua eleição. Entre março e abril, ele deverá voltar ao exterior, em sua primeira viagem já empossado, para uma nova rodada de negociações. É possível que assine ainda em 2007 um contrato para aumentar os recursos para as obras do Metrô."Sabemos que um processo de financiamento com o Banco Mundial ou o BID leva, pelo menos, um ano para ser concluído. Por isso, é importante fazer essa negociação desde o início do governo. Assim, os recursos são liberados a tempo de você executar", explicou Luna. Duas promessas de Serra dependem desses empréstimos: o plano de recuperação das estradas vicinais e o programa de socorro financeiro para os hospitais filantrópicos e Santas Casas.Para captar recursos, mas desta vez para a iniciativa privada alavancar projetos de desenvolvimento para o Estado, Serra terá que definir em breve o modelo das agências de fomento que prometeu criar. Para o vice-governador e futuro secretário da Ciência e Tecnologia, Alberto Goldman, a guerra fiscal é outro tema estratégico e que pede resposta no curto prazo. ?É um gargalo que há anos tem sido um entrave para o desenvolvimento do Estado".

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