Serra afirma que PT usou Receita Federal para espionar adversários

Marina Silva também criticou a quebra de sigilo de Eduardo Jorge e pediu 'providências'

Carolina Freitas e Roldão Arruda / SÃO PAULO,

14 Julho 2010 | 19h06

O candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, acusou nesta quarta-feira, 14, o PT de usar a máquina pública para espionar adversários. Para o tucano, o vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Pereira, foi só mais um caso dentro do histórico do PT.

 

"Uma coisa ficou caracterizada: foi usado o aparato governamental para a espionagem. E não é a primeira vez", criticou, citando como exemplos a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e o suposto dossiê sobre a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. "Um partido pega informações sigilosas e usa na política, desrespeitando os direitos dos cidadãos, que tem direito a seu sigilo", afirmou. As declarações foram feitas em coletiva de imprensa após evento na União Geral dos Trabalhadores (UGT), no centro de São Paulo.

 

O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, admitiu hoje em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal saber quais funcionários do órgão tiveram acesso a dados de Eduardo Jorge. Cartaxo negou-se, no entanto, a divulgar os nomes.

 

Serra considerou "insuficiente" a admissão por parte do secretário da Receita. "Tem de dar o nome", defendeu o tucano, que pediu que a questão seja "esclarecida a fundo".

 

Questionado se teme uma "operação abafa" por parte do governo, o tucano aproveitou para lembrar o caso do dossiê que seria usado contra ele na campanha de 2006. "As operações abafa são uma atrás das outras. O dossiê dos aloprados foi abafado até hoje. Tem R$ 1,4 milhão dos quais nunca mais se ouviu falar e o sujeito que estava transportando virou até um empresário próspero."

 

Marina

 

A candidata do PV à Presidência da República, senadora Marina Silva, também comentou o episódio. "Espero que o Ministério Público e as autoridades competentes tomem as devidas providências", disse.

 

Ao lembrar que sua plataforma de governo inclui o compromisso de não lançar de nenhum tipo de recurso para desabonar adversário, a senadora também pediu respeito à privacidade das pessoas. "Não queremos qualquer tipo de informação que extrapole o estado democrático de direito e achamos que aquele que não é capaz de respeitar o processo institucional para ganhar com certeza pior fará se tiver as ferramentas de poder. É por isso que devemos sinalizar com uma atitude prática o respeito pelas instituições e pela privacidade que é protegida por lei para cada cidadão", afirmou.

 

Colaborou André Mascarenhas, do estadão.com.br

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