Serra admite que ficou surpreso com ofensiva de Dilma

O candidato do PSDB a presidente, José Serra, admitiu hoje que ficou "surpreso" com a "agressividade" da petista no debate de ontem à noite, na TV Bandeirantes. Ele está convencido de que Dilma foi "treinada" para dar declarações no debate com o objetivo de usá-las no horário eleitoral - o que, efetivamente, aconteceu nesta segunda-feira.

CHRISTIANE SAMARCO, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

11 de outubro de 2010 | 21h14

Questionado sobre a falta de uma resposta enfática à insinuação da adversária de que o PSDB defende "a privatização do pré-sal", Serra argumentou que não entendeu o que a candidata Dilma queria. "O que a Dilma disse foi ininteligível e sem sentido. Eu não entendi". Para ele, as afirmações da petista são "factoides do PT".

Depois de sugerir que os jornalistas telefonassem para David Zylbersztajn, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP) no governo Fernando Henrique Cardoso, que Dilma citara no debate, Serra emendou: "São coisas estapafúrdias, feitas para a imprensa perguntar e repercutir". A candidata do PT disse que Zylbersztajn defendera num artigo a exploração do pré-sal apenas por empresas estrangeiras.

Serra disse que o PT "usa o negócio da privatização" sempre que a eleição se aproxima. "Eles são o partido mais privatizante do Brasil porque privatizam tudo para usar (em proveito próprio), como é o caso dos Correios (a empresa de Correios e Telégrafos). Agora vêm com esta coisa puramente eleitoral, e algumas coisas não dá nem para entender."

Apesar da ofensiva da petista, o tucano diz que, ainda assim, não acha que ela deu o tom. "Eu consegui colocar bastante coisa de conteúdo". "Eu disse isto ao vivo, lá no debate. É uma estratégia que eles decidiram. Paciência. Vamos seguir a dinâmica das coisas". Serra defende a tese de que é hora de os candidatos apresentarem o que fizeram e o que farão.

Serra não quis comentar porque não respondeu a Dilma quando ela sugeriu que ele "deveria se lembrar de Paulo Vieira de Souza, seu assessor, que fugiu com R$ 4 milhões". Foi uma referência ao ex-diretor da Dersa paulista, citado na operação Castelo de Areia e que teria captado doações de recursos que não teriam sido repassados à campanha tucana. "Nunca ouvi falar disso e não sei do que se trata. Eles (os petistas) põem factoides para que a imprensa pergunte. Porque vou gastar horas de um debate nacional com coisas que eu não tenho ideia?", indagou. "Sou candidato. Você acha que eu não saberia se tivesse havido isso?"

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