Serra administra problemas em 3 Estados e no Distrito Federal

Para garantir palanque onde a aliança está difícil, PSDB decide lançar candidatos ao senado em quatro unidades da Federação

Alfredo Junqueira / RIO - O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h01

A poucos dias do fim do prazo para a realização de convenções e homologação de candidaturas, o PSDB resolveu alterar alianças e lançar candidatos ao Senado em Estados onde não há tucanos concorrendo a governador. As mudanças vão ocorrer no Rio, Distrito Federal, Pernambuco e Bahia.

 

O objetivo, de acordo com o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), é dar mais visibilidade à legenda e ao número 45 – garantindo, com isso, maior exposição ao candidato tucano à Presidência, José Serra.

 

Guerra esteve nesta quinta-feira, 17, no Rio para tentar viabilizar o nome de algum tucano fluminense na disputa ao Senado. Ele reiterou o apoio do PSDB à candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ao governo do Rio, mas admitiu que tentará convencer os demais partidos – DEM e PPS – a alterar o acordo que viabilizou a aliança, para permitir o lançamento de um integrante do PSDB na disputa a uma das vagas ao Senado.

 

No Distrito Federal, o partido lançou o nome Maria de Lourdes Abadia. O ex-governador Antônio Imbassahy é o nome cotado para disputa na Bahia.

 

Guerra, que desistiu de disputar a reeleição ao Senado em Pernambuco, não disse quem seria o candidato do partido no Estado. "A gente tem desenvolvido a avaliação de que ter o 45, ou o 451, na televisão tem um efeito eleitoral relevante. É um efeito de comunicação", argumentou o presidente nacional do PSDB.

 

Na coligação liderada por Gabeira, os pré-candidatos ao Senado até agora são o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o advogado Marcelo Cerqueira (PPS). Ao PSDB caberia a indicação do vice, que seria o ex-deputado Márcio Fortes. A ideia dos tucanos é convencer o PPS a abrir mão da candidatura de Cerqueira.

 

"Sabia dessa disposição do PSDB há 15 dias. É uma questão para ser decidida pelos partidos da coligação, e não pelo cabeça da chapa", disse Gabeira.

 

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, confirma que conversou com Guerra sobre o assunto, mas disse que não aceita a mudança. "Não sei o que o PSDB está pensando. Mexer naquilo que surgiu com uma boa costura, para mim, é um equívoco", disse Freire.

 

O presidente do partido no Rio, deputado Comte Bittencourt, afirmou que a hipótese não tem fundamento. "É plantação para criar factoide na campanha do Gabeira", afirmou Bittencourt.

 

O DEM também rejeita a mudança. A grande aposta do partido no Rio é a eleição de Cesar Maia ao Senado. Por e-mail, o ex-prefeito do Rio disse que tentativa de mudança no acordo "é ficção".

 

A convenção dos quatro partidos para oficializar o nome de Gabeira e dos candidatos ao Senado está marcada para amanhã, em Niterói. Deverá contar com a presença de Serra e da candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva (AC). Os dois concorrentes não devem se encontrar durante o evento.

 

A necessidade de um palanque para Serra no Ceará está prestes a provocar o rompimento político e pessoal entre o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), aliados há 24 anos. Motivo: o governador do Ceará e irmão de Ciro, Cid Gomes (PSB), pretende apoiar a dobradinha dos deputados José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB) ao Senado. Tasso contava com a aliança, mesmo que informal, com Cid para se reeleger ao Senado.

 

Irritado, Tasso afirmou a correligionários que passa por "uma grande decepção" em relação aos Gomes. / COLABOROU EUGÊNIA LOPES

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