Serra acusa petistas de ''piratear'' obras do Estado

Governador diz que prefeitos do PT omitem que realização é de seu governo

Silvia Amorim e Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governador paulista, José Serra (PSDB), acusou ontem o PT de promover uma "pirataria" das obras da gestão tucana em São Paulo. Em um discurso para prefeitos e secretários municipais de todo o Estado, Serra disse ainda que propagandas do governo federal passam a ideia equivocada de que a maioria dos investimentos no País é feita pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Em São Paulo, tem prefeitos do PT que pegam a obra e não põem que é do governo estadual, escondem. É a pirataria total das obras do Estado", afirmou. A crítica foi feita quando Serra defendia que, em seu governo, não há diferença de tratamento entre os municípios por causa de partidos políticos. "O governo do Estado faz em geral (obras) no atacado, independentemente da coloração partidária. Exatamente o contrário do PT", prosseguiu.O tucano fez questão de ressaltar, entretanto, que as críticas não se estendiam ao presidente. "Estou me referindo ao Estado. Na esfera federal, não tem tido esse tipo de problema." A crítica ao governo Lula veio mais adiante, sem citá-lo diretamente. "Não sei se todos sabem, mas 70% dos investimentos no Brasil não são feitos pelo governo federal, mas pelos Estados e municípios. Isso é incrível porque, às vezes, com toda essa propaganda, pode se pensar o contrário", disse ele, em encontro com secretários municipais da Saúde de São Paulo.No evento, o governador expôs as principais realizações da sua gestão nesse setor e em outros também. Citou, por exemplo, o programa de recuperação de estradas vicinais, uma das vitrines da administração tucana, e, ao final do discurso, explicou: "Nada do que eu estou dizendo aqui é coisa para a mídia. Essa reunião não foi feita para a mídia, é uma reunião de trabalho, tanto que ela se prolonga por todo o dia."ARTILHARIAA artilharia do governador contra os petistas vem dias depois de o PT divulgar nota à imprensa criticando o pacote de medidas anticrise anunciado pelo governo paulista na semana passada. Ontem, enquanto o tucano tecia as críticas, o PT anunciava uma lista de medidas de combate à crise econômica e acusava o governador paulista de ser omisso e tímido em relação ao avanço da recessão.Em encontro com prefeitos e deputados petistas, o presidente estadual do PT, Edinho Silva, cobrou de Serra iniciativas como a construção de 50 mil casas populares e o descongelamento de recursos para programas sociais. Edinho classificou as declarações do tucano de "ataque gratuito". "Não tem sentido o governador sair atacando partidos políticos. Outro dia vi uma publicidade do Rodoanel sem mencionar o governo federal, apenas Estados, municípios e União. A população lá sabe quem é União?", reagiu. "Se tiver prefeitos descumprindo convênios, ao não dar publicidade correta às obras, tome as providências."PROGRAMAEm meio às críticas ao PT e ao governo, o tucano anunciou ontem um programa de transferência de R$ 13,4 milhões para prefeituras paulistas reformarem unidades básicas de saúde. Relembrando a sua passagem pelo Ministério da Saúde, Serra cobrou do governo federal a regulamentação da emenda constitucional - criada na sua gestão - que estipula porcentual mínimo de aplicação de recursos do orçamento em saúde nos três níveis de governo. "Essa emenda ficou para ser regulamentada em 2004 e não foi até agora. Não vai ser feita na atual gestão", sentenciou.Voltando-se novamente para a gestão Lula, ele cobrou descentralização maior da administração em tempos de crise. "Tenho a tese de que, para elevar o investimento público, um dos caminhos mais importantes é a descentralização com a entrega de recursos comprometidos com o investimento", afirmou. "Eu defendo que o grosso do investimento, nesse período de crise, seja através de Estados e municípios, pela rapidez."

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