Serra acusa Lula de usar governo em benefício de Dilma

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar a máquina pública em benefício da candidata do PT, Dilma Rousseff. Para o tucano, o lançamento por parte do governo federal de um programa de combate ao crack, no mês passado, teve vistas às eleições.

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

21 de junho de 2010 | 15h19

Serra disse que, após sete anos e meio de governo, os petistas souberam por pesquisas de opinião da preocupação do eleitor com o crack e lançaram o programa. "É uma tabelinha quase perfeita de uso da máquina. A candidata fala e o governo lança o plano", afirmou o candidato, em sabatina promovida pelo jornal "Folha de S.Paulo" e pelo portal UOL, na capital paulista.

O tucano acusou os adversários de usarem de "terrorismo" para tentar minar sua campanha e sua imagem, principalmente em debates regionais e por meio da internet. Citou um texto divulgado em blogs por uma pessoa ligada a Lula e Dilma afirmando que ele acabaria com o Programa Universidade para Todos (ProUni) caso eleito. "Eu nunca disse isso. Tem tanta coisa maluca espalhada. Esse é o método terrorista. Não violento, mas terrorista."

Questionado sobre privatizações, tema polêmico que despertou boatos e tirou votos de Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência em 2006, Serra classificou o tema como um "falso assunto". "Não vejo muito espaço para mais privatizações, mas esse debate sempre é feito com terrorismo", disse. "Essa será uma eleição difícil."

Exemplo dessa dificuldade foi a suposta preparação de um dossiê contra Serra por colaboradores da campanha de Dilma. Serra sugeriu hoje à adversária que se desculpe pelo episódio. "Ela poderia dizer: ''Desculpem se algo errado aconteceu. Estou tomando providências''." Para o candidato, existe uma tendência de "culpar a vítima" em casos como esse. "Até hoje não houve nenhum pedido de desculpas pelo episódio dos aloprados, o que significa que eles vão continuar fazendo (dossiês)."

Serra, hoje defensor do Bolsa Família, foi lembrado pelos entrevistadores que, no passado, classificou o programa como um "instrumento assistencialista de política eleitoral". Com ar sisudo, rebateu dizendo que os jornalistas haviam deixado de pesquisar o que Lula disse sobre os programas assistenciais criados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Ele chamou de Bolsa Esmola", disse. "Depois juntou o que chamou de Bolsa Esmola e chamou de Bolsa Família."

Vice

O tucano esquivou-se, mais uma vez, de falar sobre quem será seu companheiro de chapa. O PSDB vive há meses uma indefinição sobre o vice, posto recusado pelo ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB). "Também tenho uma enorme curiosidade (a respeito do nome), mas até o final do mês isso se resolve. Acabamos deixando para o final do mês."

Serra negou que haja qualquer acerto entre ele e a presidenciável do PV, Marina Silva, com vistas à eleição de outubro. "Adoraria ser o herdeiro dos votos de Marina (em um eventual segundo turno). Eu até toparia uma tabelinha com Marina, mas não tem", disse. Segundo Serra, a identificação entre os dois se dá pelo fato de ele ser também um "ambientalista".

O tucano aproveitou para elogiar outro verde, o candidato ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, que deve contar com o apoio do PSDB no Estado. "Acho Gabeira um grande quadro. Gosto e respeito muito. É um orgulho tê-lo como companheiro de geração."

Ao final da sabatina, Serra alfinetou Dilma Rousseff. "Como se vê, um debate como esse não tira pedaço de ninguém. Seria bom se todos os candidatos pudessem vir", disse. A petista cancelou na semana passada a participação nas sabatinas e deu como justificativa sua viagem à Europa.

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