Serra acusa governo Lula de privilegiar Marta

O candidato do PSDB à prefeitura paulista, José Serra, acusou hoje a o governo Lula de ter privilegiado a prefeita Marta Suplicy (PT), candidata à reeleição, com informações sobre a alteração de uma lei federal que adiou, do dia 3 de cada mês para o dia 30, a data de vencimento das dívidas dos municípios com a União. A medida vale para todas as prefeituras, mas outros municípios endividados dizem não ter sido informados. "Sem dúvida, é um privilégio que foi dado a ela pelo governo do Lula para ver se ajuda na campanha", sustentou o tucano, durante caminhada esta manhã no bairro de Cidade Vila Nova, em São Miguel Paulista, zona Leste da capital, acompanhado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. "Existe uma crise financeira na prefeitura de São Paulo devido à má administração de recursos e o governo federal está socorrendo", ressaltou Serra, referindo-se às dívidas com fornecedores, que a prefeitura acumula desde junho. O adiamento da data de pagamento dos encargos com a União, acima de R$ 100 milhões por mês, deu à prefeitura paulistana fôlego para quitar os débitos com os fornecedores. "Eu não sou contra o socorro, desde que se saiba que estão fazendo isso para acumular melhores condições para a eleição. Só São Paulo sabia que podia fazer isso. Foi na verdade uma medida feita com privilégio de informação, já que todos os Estados fariam isso se soubessem", afirmou. O candidato se disse intrigado com a medida, diante da política econômica austera e ortodoxa pregada pelo governo federal. "É curioso ver o secretário do Tesouro Nacional (Joaquim Levy), que é uma espécie de filho querido, um aluno de estimação do Fundo Monetário Internacional (FMI), fazendo coisas para ajudar uma candidatura em São Paulo", ironizou.Serra também condenou os "gastos desordenados" que a gestão de Marta Suplicy estaria praticando, destacando, em especial, as obras em andamento para construção de um túnel na Avenida Rebouças. "Esta obra na região dos Jardins ficará de 30% a 40% mais cara do que a previsão inicial, porque está sendo feita na pressa e sem planejamento". O candidato aproveitou ainda para reproduzir queixas de moradores locais de falta de médico nos postos de saúde da comunidade. "O que custa ter um médico tendo o programa de Saúde da família? Não custa caro, mas se em quatro anos a Prefeitura não fez, não é agora que vai fazer", afirmou. Ao lado de Alckmin e cercado por cerca de 50 populares, Serra disse que os projetos do governo do Estado no local são mais voltados à área de saneamento e da canalização do Córrego Vila Nova. "Mas falta a ação da Prefeitura". O governador paulista também cobrou ações do governo Marta, na construção de asfalto e rede de iluminação, e disse que está fazendo a sua parte. Segundo ele, muitas famílias que ocupavam uma das localidades do bairro irregularmente foram transferidas para 1600 unidades da CDHU construídas pelo governo do Estado. O projeto, disse, continua em andamento e a meta é atender 8 mil pessoas. Além de Alckmin e Serra, também participaram da caminhada os deputados federais Walter Feldman e José Aristodemo Pinotti, que distribuiu e autografou o livro de sua autoria "Saúde da Mulher".

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