Serra acusa Dilma de plagiar suas propostas de governo

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, aumentou hoje o tom das críticas à adversária Dilma Rousseff (PT). Ele chegou a acusá-la de plagiar propostas apresentadas por ele. "Eu faço propostas e, dali dois a três meses, a candidata do PT vem e me faz a mesma proposta. Já são sete. Estou fazendo uma coleção", disse. "O importante não é a cópia. Eu só queria às vezes o direito autoral", prosseguiu. Depois, em entrevista, voltou ao tema, provocado por jornalistas. "Eu não faria uma lei para proibir cópias. Mas fica mais elegante dar o crédito. Não precisa pagar o direito autoral", disse. Entre as cópias de Dilma, mencionou o Mãe Cegonha, segundo ele, cópia do Mãe Paulistana, criado à frente da Prefeitura de São Paulo.

ANA PAULA SCINOCCA, Agência Estado

17 de agosto de 2010 | 18h06

Atrás de Dilma nas pesquisas, Serra fez os ataques ao participar hoje do 20º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, em Brasília. Ao afirmar que pretende criar 154 Ambulatórios Médicos de Especialidades (Ames) no Brasil, Serra sugeriu ainda que Dilma visite um deles em São Paulo. "Seria preciso ela conhecer os Ames, que estão em São Paulo. Ela não conhece."

Ex-ministro da Saúde, Serra também disse que Dilma recebe números "maquiados" do governo em sua campanha. Serra disse que o Ministério da Saúde maquiou números, inflando a quantidade de cirurgias realizadas no País nos últimos anos, para beneficiar Dilma. "Houve encolhimento das principais cirurgias eletivas nos últimos anos, até de cataratas, apesar dos truques que o Ministério da Saúde assessorando a candidata tem feito." O tucano defendeu o ministro José Gomes Temporão (Saúde), mas disse que ele cumpre uma função determinada pelo governo federal. "O Temporão é um homem correto. Depende do sistema, dos recursos que tem e das prioridades políticas."

O candidato disse também, no evento, que o PT, partido de Dilma, ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar combater as Organizações Sociais de Saúde (OSS), criadas durante sua gestão no governo de São Paulo. "As OSS tendem a custar 10% menos por paciente e atender 20% mais, dada flexibilidade de gestão e os contratos que são estabelecidos. Essas OSS têm sido muito combatidas pelo PT, que foi ao STF para derrubá-las, mas até agora não conseguiu."

Serra ainda acusou o governo Lula de ter mentido durante a votação da extinção da CPMF no Congresso. "É trololó, falsidade, mentira, dizer que os programas financeiros da saúde provêm do fim da CPMF. Não tem nada a ver porque tem uma lei própria que independia da arrecadação de qualquer imposto."

No congresso com os representantes de Santas Casas, Serra fez uma série de promessas para o setor da saúde. O candidato disse que, se for eleito, vai restabelecer o Programa de Estímulo à Reestruturação (Proer) das Santas Casas com o financiamento público de parte de suas atividades. "Por causa do abandono do governo, está com grau de endividamento intolerável. Praticamente triplicou nos últimos anos. Passou de R$ 1,8 bilhão para R$ 5,9 bilhões. Esse é o endividamento do setor hoje, o que mostra situação crítica e de pré colapso." Serra também se comprometeu a investir R$ 12 bilhões em quatro anos na área da saúde. Segundo ele, seriam R$ 3 bilhões por ano de governo.

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