Serra abre programa na TV prometendo ampliar Bolsa Família

Candidato à Presidência foi a estrela da propaganda partidária veiculada nesta quinta-feira; programa reforçou origem humilde de tucano

Gustavo Uribe e Elizabeth Lopes

17 de junho de 2010 | 20h30

Na estratégia de alavancar a popularidade de José Serra entre as camadas mais pobres da sociedade, parcela do eleitorado na qual o PT apresenta larga vantagem nas urnas, o PSDB apresentou o seu candidato presidencial no programa partidário da sigla, veiculado na noite desta quinta-feira, 17, como um homem de família, de origem humilde, porém, com boa formação, capaz de melhorar a vida dos brasileiros e resolver gargalos nas áreas da saúde, emprego e educação.

 

A principal aposta do PSDB, na exibição da propaganda partidária desta quinta, foi o próprio candidato. Na abertura, Serra falou sobre a importância de se manter o Bolsa Família, um dos programas mais populares e bem avaliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu acho que o Bolsa Família deve ser ampliado, deve ser fortalecido", defendeu, com a seguinte ressalva: "Agora, precisa saber fazer ele ir para frente. E eu acho que eu sei." O tucano também abriu a inserção com o slogan que vai marcar a sua campanha: "O Brasil pode mais."

 

 

Em seguida, Serra foi apresentado como pai de família, marido de Mônica e avô "coruja" de Antônio, Francisco e Gabriela. Ao falar dos netos, ele se emocionou: "Quando a tua netinha te liga e fala, ela não me chama de vovô, ela me chama de José, 'José, você não vem visitar?', o que você fala?". Depois da cena em família, o programa exibiu imagens da Mooca, bairro operário onde ele nasceu: a simples casa de fachada azul, a foto da mãe, dona de casa, e do pai, vendedor de frutas. E disse que como filho de família pobre, Serra também estudou em escola pública.

 

Apesar da origem humilde, o PSDB apresentou Serra como grande líder estudantil, que lutou contra ditadura, foi exilado político e, ao retornar ao Brasil, assumiu importantes cargos na administração pública, na secretaria de Planejamento do governo Franco Montoro, em São Paulo. O programa mostrou também que ele foi o deputado constituinte que mais aprovou projetos, o senador mais bem votado do País, o ministro do Planejamento do governo FHC que ajudou a implantar o Plano Real e "o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve".

 

O programa partidário do PSDB mostrou ainda os mandatos executivos que Serra desempenhou, na Prefeitura de São Paulo e no governo de São Paulo. Num alusão a um dos famosos bordões utilizados pelo presidente Lula, o candidato tucano é apresentado como "o único governador na história de São Paulo" eleito no primeiro turno. E é exibida uma de suas principais vitrines administrativas: a saúde. Outra área com destaque é a da educação, sobretudo o ensino profissionalizante.

 

Na popularização de seu candidato, o programa do PSDB diz que "Zé Serra é sujeito simples, de bem com a vida e com seu povo". Foram exibidos ainda depoimentos de eleitores de vários pontos do Brasil, como Minas Gerais, Paraíba, Ceará e Paraná, além de São Paulo. Num deles, o 'seu Maneco', barbeiro em Curitiba, diz que Serra é um homem sério e que foi o maior presente de toda a sua vida conhecê-lo. Maneco relatou que foi graças a um mutirão de câncer de próstata, quando Serra era ministro da Saúde, que detectou a doença e pôde tratá-la. Nesse encontro, o candidato tucano se emociona e diz que são histórias como essa que o fazem acreditar que vale a pena encarar os desafios.

 

Os ataques ao PT, maior adversário nesta campanha, foram sutis na propaganda partidária tucana. Num deles, o locutor diz que, enquanto os adversários apenas gostam de falar muito, José Serra gosta de fazer. No final do programa, sem citar o PT, Serra disse que "o Brasil avançou em algumas coisas, mas ainda falta muito por fazer: saúde pública está ruim, a educação precisa melhorar muito e a segurança, em muitos lugares está péssima e as drogas são um verdadeiro pesadelo para as famílias". E encerra com o seu slogan: "Isto tem que mudar, o País pode melhorar muito. Vamos juntos, o Brasil pode muito mais."

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