Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Cunha critica PT no Twitter e governo tenta contornar crise

Ministro intervém em crise entre PT e presidente da Câmara, que voltou a atacar petistas após dizer que aliança se esgotou

Vera Rosa, Lu Aiko Otta e André Borges, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 13h18

Atualizada às 23h11

BRASÍLIA - O governo decidiu intervir para contornar a nova crise entre PT e PMDB. A ordem no Palácio do Planalto é evitar que prospere bate-boca com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ministro da Defesa, Jaques Wagner, chegou a telefonar para dirigentes petistas pedindo que eles evitem troca de ofensas.

Após dizer ao Estado que “dificilmente o PMDB repetirá a aliança com o PT” em 2018 porque “esse modelo está esgotado”, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou neste domingo ao ataque contra os petistas. Irritado por ter sido hostilizado no 5.º Congresso do PT, no sábado, ele usou a rede social Twitter para atacar o partido da presidente Dilma Rousseff.

“Talvez tivesse sido melhor que eles aprovassem no congresso o fim da aliança e não sei se num congresso do PMDB terão a mesma sorte”, ameaçou, um dia após saber que foi chamado de “oportunista de ocasião” e “sabotador do governo” no encontro petista, em Salvador. “No momento, temos compromisso com o País e a estabilidade, mas isso não quer dizer que vamos nos submeter à humilhação do PT”, reforçou Cunha.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), contemporizou a defesa feita por Cunha de rompimento da aliança: “O governo não vai criar crise onde não existe”, resumiu. “2018 ainda está muito longe.” Guimarães disse se dar muito bem com o vice-presidente Michel Temer, que comanda o PMDB e é articulador político do Planalto. “Não tem fuxico entre nós dois. Não tem estresse”, garantiu o líder.

Tensão. As relações entre PT e PMDB estão cada vez mais tensas. Nos últimos dias, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que era “imprescindível” a Secretaria de Relações Institucionais ser ocupada, para dar agilidade às negociações com o Congresso, o que contrariou Temer, articulador político do governo, que incorporou as funções da pasta.

Além disso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para Temer, furioso, cobrando explicações pelo fato de a bancada do PMDB ter aprovado a convocação de Paulo Okamotto, que comanda o Instituto Lula, na CPI da Petrobrás.

“Toda relação longeva precisa de ajustes”, amenizou o deputado Sibá Machado (AC), líder do PT na Câmara. “O PMDB também é governo e temos de tratar as alianças de 2018 em 2018”, completou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). 

No sábado, último dia do congresso petista, dirigentes rejeitaram proposta apresentada pela corrente trotskista O Trabalho que pregava o rompimento da aliança com o PMDB. “O presidencialismo de coalizão está esgotado, dando espaço e poder ao principal dos ‘aliados’, muitas vezes o sabotador do governo, o PMDB, que opera pela contrarreforma política e pela revisão do regime de partilha do pré-sal”, dizia a emenda.

Em meio a gritos de “Fora Cunha”, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) classificou, então, o presidente da Câmara como “oportunista de ocasião”. Foi aplaudido pelos colegas.

“O PMDB está cansado de ser agredido pelo PT constantemente e é por isso que declarei ao Estadão que essa aliança não se repetirá”, reagiu Cunha, neste domingo, no Twitter. Irônico, ele comentou que ficaria preocupado se tivesse sido aplaudido pelos petistas, pois seria um sinal de que estaria fazendo tudo errado. “E, mais uma vez, agradeço as hostilidades”, debochou.

Sem citar Zarattini, Cunha escreveu que o deputado “era vice-líder do governo e relator da MP 664, que tratava do ajuste fiscal”, mas votou a favor da extinção do fator previdenciário, incluída no texto, mesmo contra a vontade do Planalto. “Quem é então o oportunista de ocasião?”, provocou. Zarattini foi procurado pelo Estado, mas não respondeu as ligações.

Para o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, os problemas entre o PT e o seu partido podem ser resolvidos com mais diálogo. “Sempre me manifestei em defesa da candidatura própria em 2018, mas não acho que a aliança PMDB-PT já esteja no fim”, disse Pezão. “Até lá, o partido tem que continuar a exercer o papel de garantir a governabilidade.” / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL


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