Seria leviandade votar rompimento do PMDB com governo na convenção, diz aliado de Temer

Ex-ministro Moreira Franco avalia que legenda só deve discutir o desembarque do Executivo quando a sociedade der sinais claros de amadurecimento na defesa do impeachment

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2016 | 23h28

BRASÍLIA - O ex-ministro Moreira Franco, um dos principais aliados do vice-presidente Michel Temer, avaliou nesta quarta-feira, 2, que seria “leviandade” e “irresponsabilidade” colocar o rompimento do PMDB com o governo em votação durante a convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 12 de março. Segundo ele, a legenda só deve discutir o desembarque do Executivo quando a sociedade der sinais claros de amadurecimento na defesa do impeachment.

“Essa é uma questão que divide o PMDB. (…) Então, creio que seria uma leviandade, uma irresponsabilidade colocarmos a questão”, afirmou em entrevista ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Segundo o peemedebista, ao longo dos 50 anos de história, o partido sempre manifestou compromisso com o “sentido da urgência”, mas também tem “responsabilidade. “E hoje precisamos pacificar a sociedade brasileira, e não estimular uma divisão, um racha ao meio. Quando falo sociedade, falo do partido também”, disse.

Moreira afirmou que o PMDB tem feito pesquisas internas com dirigentes sobre o impeachment e que os resultados são iguais aos das pesquisas de opinião feitas com a sociedade: 60% a favor e 40% contra. “Então, queremos dar tempo ao partido e à sociedade para que amadureçam uma opção e a opção tomada seja consciente, determinada e alcance o resultado que todos queremos: restabelecer o caminho que permita enfrentar de maneira bem sucedida a maior crise econômica da história”, disse.

O aliado de Temer afirmou que o tempo para maturação dessa discussão dentro do partido é imprevisível e depende da própria maturação prévia na sociedade. “É o processo de percepção, de acompanhamento, de intranquilidade, de problemas que cada brasileiro vai viver. (…) As perdas que estão tendo das conquistas, a inflação, o desemprego, a carestia, isso tudo certamente é fator que acelera a indignação contra esse quadro geral”, afirmou Moreira.

O discurso do ex-ministro vai na direção oposta ao de outro aliado próximo de Temer. Como mostrou o Estadão hoje, o ex-ministro Eliseu Padilha vem defendendo o desembarque do governo já na convenção. “Para mim, o tema é simples e da mais absoluta lógica política e ética. Não me passa na cabeça que queiramos iludir aos peemedebistas e/ou ao governo, dizendo uma e fazendo outra coisa”, afirmou Padilha em troca de mensagens no Whatsapp obtidas pela reportagem.

2018. Na entrevista, Moreira voltou a defender candidatura própria do PMDB a presidente em 2018. Ele ressaltou que, neste momento, o partido ainda não discute nomes; está preocupado em cuidar de montar uma estrutura  sólida e competitiva que garanta uma candidatura. “Candidato tem nomes, é fácil. Candidatura é que é difícil”, disse. “Sempre cumprimos o papel de garantidor da governabilidade. Agora, queremos ser protagonistas, queremos sentar na sela do cavalo e segurar a rédea”, emendou.

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