Seria injusto cassar Jaqueline Roriz por caixa 2, diz Silvio Costa

Para parlamentar do PTB, suplente do Conselho de Ética da Câmara, caso da deputada deve ser avaliado pelo 'conjunto da obra' para não se cometer injustiças

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br

23 de março de 2011 | 17h07

Brasília - O deputado Silvio Costa (PTB-PE), que é suplente do Conselho de Ética, afirmou nesta quarta-feira, 23, que seria "injusto" cassar Jaqueline Roriz (PMN-DF) "somente por caixa dois". O parlamentar, que se posicionou a favor da cassação da colega, afirma que ela tem de perder o mandato pelo conjunto da obra.

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Jaqueline Roriz foi flagrada em gravação de 2006 recebendo um pacote de dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. "Se a deputada Jaqueline for cassada somente por caixa dois, de repente essa Casa poderia estar cometendo uma grande injustiça. Acho que se ela for cassada terá de ser pelo conjunto da obra", disse Costa durante a sessão do conselho na qual foi aberto o processo contra Jaqueline.

Questionado sobre sua declaração, o deputado reafirmou sua posição. "Não estou acusando nem defendendo o caixa dois, mas não dá para ser hipócrita, infelizmente o caixa dois existe em todo o Brasil". O deputado, porém, disse não recorrer a esta prática.

Costa afirmou ainda que juridicamente não seria possível cassar a colega porque em 2006 ela não era parlamentar. Na época, Jaqueline Roriz disputava um mandato de deputada distrital. Apesar do questionamento jurídico, o deputado do PTB antecipou que votará pela cassação de Jaqueline Roriz devido ao aspecto "político". "Isso aqui é uma Casa política. Se o povo de Brasília tivesse conhecimento deste fato, não teria eleito a deputada. Aqui a decisão é política e é bom que seja assim", disse Costa.

Ele defendeu ainda que o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda seja convidado para dar depoimento e que se investiguem também "tubarões" do esquema. Os "tubarões" seriam lideranças do DEM e do PSDB citados por Arruda em entrevista à revista Veja.

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