Márcio Fernandes/AE
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'Seria de muito mau gosto explorar a doença', diz Dilma

Em evento do PAC, ministra diz que a solidariedade é muito grande e que o 'povo brasileiro é generoso'

Liege Albuquerque, de O Estado de S. Paulo,

28 de abril de 2009 | 17h10

A ministra Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, 28, não temer que sua doença seja explorada politicamente. "Seria de muito mau gosto explorar. Doença é doença igual para todo mundo, para mostrar que não somos onipotentes". Dilma agradeceu a solidariedade recebida e disse que muitas aproximações a emocionaram e tocaram. "A solidariedade é muito grande, é reconfortante receber gestos como estes. Representa para mim uma energia muito boa. Só confirma o que já sabemos, que o brasileiro é um povo generoso".

 

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No último sábado, a ministra convocou entrevista coletiva para anunciar que está fazendo tratamento de quimioterapia para combater um linfoma, um câncer do sistema linfático, na axila esquerda. A doença foi diagnosticada há cerca de três semanas em exames de rotina e um gânglio foi extirpado durante uma cirurgia que durou 45 minutos. Na ocasião, Dilma disse que vai enfrentar o tratamento da doença trabalhando. Segundo os médicos, as chances de cura seriam de mais de 90%.

 

O clima em Manaus, onde a ministra foi para apresentar o balanço do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), era de campanha. Diversos políticos e autoridades louvaram Dilma como a "sucessora natural de Lula" e a "grande realizadora de obras do PAC". O evento reuniu 62 prefeitos do Estado do Amazonas. "Essa mulher trabalha 18 a 20 horas por dia, ela ter de fazer um PAC ao contrário na vida dela e desacelerar", brincou o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. Aplaudida, a ministra disse que é "aqui e no Nordeste que a visão do presidente é mais prioritária".

 

Dilma mostrou irritação ao ouvir críticas ao PAC na entrevista a jornalistas. Em infraestrutura logística, por exemplo, das 37 obras apenas sete foram concluídas. "Você esquece que o Brasil passou 25 sem investir em obras e terminou em apagão. Nós estamos construindo as obras do PAC dentro da lei, com as burocracias existentes e necessárias, como as de relatórios de impacto ambiental, por exemplo", defendeu.

 

Também ficou irritada ao ouvir que as críticas da oposição são de que as obras estão desaceleradas para serem apressadas mais próximas ao período eleitoral. "Se alguém acha isso, problema de quem acha. A forma que estamos fazendo é a possível, em meio a uma crise econômica mundial. E não somos um governo desdentado, temos política fiscal para enfrentar essa crise e tocar as obras", justificou.

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