Alexandre Meneghini/Reuters
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Quem herda os votos de Moro? Pesquisas recentes testam cenários

De acordo com o levantamento mais recente, Ciro Gomes e Jair Bolsonaro seriam os mais beneficiados, mas João Doria e Lula também herdam votos

Davi Medeiros e Gustavo Queiroz, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2022 | 11h16
Atualizado 01 de abril de 2022 | 21h40

Uma eventual saída de Sérgio Moro (União Brasil) da lista de pré-candidatos à Presidência pode ajudar a reconfigurar composições políticas no campo da terceira via, mas, segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos meses, a distribuição de seu potencial eleitorado não consegue romper o cenário polarizado entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Análise da XP Política com base nas duas últimas pesquisas do Ipespe aponta que, na prática, a desistência do ex-juiz distribuiria poucos pontos porcentuais. Nas pesquisas de intenção de votos, o ex-juiz aparecia com, no máximo, 9% das intenções de votos.

Dos pré-candidatos, quem mais herdaria as intenções de votos de Moro seria Ciro Gomes (PDT), com 17%. Depois, Jair Bolsonaro, de quem Moro foi ministro, com 15%. O pré-candidato do PSDB, João Doria, ficaria com 12%. O resultado seria tímido, se comparado com o eleitorado total.

Ciro, por exemplo, subiria apenas 1,4 ponto porcentual sem Moro na disputa. Bolsonaro ganharia 1,3, e Doria, 1. Isso acontece porque, segundo a XP Política, 40% deste eleitorado migraria para o não voto quando o ex-juiz é retirado da simulação, sobrando um contingente enxuto de eleitores para os concorrentes.

Bolsonaro

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda afirmou que o grande beneficiado pela saída de Moro é Bolsonaro. Para ele, o resultado da distribuição de votos consolida Ciro Gomes na terceira posição, mas a quantidade de eleitores que apoiariam outros nomes é muito pequena comparada ao ganho indireto do presidente. “Saiu um competidor do eleitorado centro-direita, que é original do Bolsonaro, e sobretudo saiu alguém que ia empunhar a bandeira da Lava Jato contra ele na campanha eleitoral”, disse. O especialista também aponta que, agora, Bolsonaro tem campo livre para ele mesmo empunhar a bandeira lavajatista contra Lula.

O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira corrobora que os ganhos serão pouco significativos e entende que o menor beneficiado com a distribuição deve ser Lula. “O eleitor de Moro tende a ser antilulista. Quem não ganha é o Lula, mas pode ser que Bolsonaro pegue a maior parte e outra se distribua entre os demais candidatos”, disse.

Levantamentos

Outros levantamentos que testaram a ausência do ex-juiz também mostram que pré-candidatos podem crescer entre os eleitores que não votam nem em Lula, nem em Bolsonaro. Isso porque, dos que apontavam Moro como primeira opção de voto, a maior parte mantém o padrão de preferir migrar para o grupo de brancos e nulos.

Em pesquisa CNT divulgada em fevereiro, a opção “brancos ou nulos” foi apontada por 25,8% dos que tinham preferência pelo ex-juiz da Lava Jato. Na análise, os demais pré-candidatos reproduzem crescimento similar à Ipespe, com Ciro herdando 16,4% dos votos de Moro, Bolsonaro com 15,6% e Doria com 8,6%

Pesquisa Genial de janeiro também mostra “brancos e nulos” como campeões entre quem votaria em Moro originalmente. Depois, vem Bolsonaro, com 22%; Lula, com 15%; e Ciro, com 11%. Vale ressaltar que as porcentagens não representam a preferência absoluta dos pré-candidatos, mas a fatia de eleitores de Moro que eles capturam. 

Pesquisa Genial de janeiro também mostra “brancos e nulos” como campeões entre quem votaria em Moro originalmente, mas inverte o ranking dos “herdeiros” e coloca Lula no páreo. Neste levantamento, Bolsonaro fica na liderança (22%), seguido de Lula (15%) e Ciro (11%). Vale ressaltar que as porcentagens não representam a preferência absoluta dos pré-candidatos, mas a fatia de eleitores de Moro que eles capturam. 

Em pesquisa Genial de março, Ciro cresce um ponto, Bolsonaro, dois, e Lula, quatro no cenário sem o ex-juiz. Esse quadro, contudo, também desconsidera outros pré-candidatos da terceira via, como Simone Tebet (MDB), Doria e Felipe d’Avila (Novo).

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