Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Sérgio Machado presta depoimento em Fortaleza na ação que pede cassação de Dilma e Temer

Ex-presidente da Transpetro disse em delação premiada que repassou propina a mais de 20 políticos, paga por meio de doações eleitorais oficiais

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2016 | 16h04

Brasília - O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (PMi interrogDB-CE) foado neste sábado, 22, como testemunha de acusação em uma das ações que pede a cassação da chapa presidencial de Dilma Rousseff e Michel Temer, eleita em 2014. O depoimento aconteceu em Fortaleza (CE), na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).

A oitiva foi feita presencialmente pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Herman Benjamin, relator da ação contra a chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os advogados de Dilma, Flávio Caetano, e de Temer, Gustavo Guedes, também acompanharam o depoimento na capital cearense.

De acordo com Guedes, Machado “repetiu o que disse na delação” premiada que fez no âmbito da Operação Lava Jato. A delação foi homologada em maio deste ano pelo ministro Teori Zavascki, relator dos processos da operação no âmbito do Supremo Tribunal Federal. 

“Ele disse que não participou, que não lhe foram pedidas doações para a campanha presidencial de 2014. (...) Em resumo, disse que nenhuma doação das que ele viabilizava foi destinada a eleição presidencial de 2014”, afirmou Guedes ao Broadcast Político. Machado presidiu a Transpetro de 2003 até novembro de 2014.

Na delação, Machado afirmou que repassou propina a mais de 20 políticos, paga por meio de doações eleitorais oficiais. O ex-gestor citou ainda que pagava espécie de “mesada” a alguns políticos do PMDB, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que receberia R$ 300 mil por mês. Renan nega.

O advogado de Temer disse que o depoimento de Machado durou cerca de uma hora e 40 minutos e faz parte da fase de instrução do processo que tramita no TSE. O ex-presidente da Transpetro, que cumpre prisão domiciliar após fazer a delação, foi arrolado como testemunha de acusação pelo PSDB, autor da ação que pede a cassação de Dilma e Temer.

Guedes contou que, nessa sexta-feira, 21, os advogados e o ministro Herman Benjamin, relator da ação no TSE, estiveram no Rio de Janeiro para ouvir Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras no âmbito da ação. Cerveró também fez delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

O ex-diretor disse na delação que ouviu do senador Fernando Collor (PTC-AL) menção à ex-presidente Dilma. Segundo Cerveró, em setembro de 2013, Collor disse que suas negociações para negociar cargos de chefia na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, tinham sido autorizadas diretamente por Dilma.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Dilma nem com a assessoria do TRE-CE.

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