Sérgio Machado diz que doação da JBS gerou embate

Valor doado seria de R$ 40 milhões a senadores do PMDB, a pedido do PT, em 2014; a discussão teria feito Temer reassumir comando da legenda naquele ano

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2016 | 10h03

Ligado à cúpula do PMDB, Sérgio Machado disse em delação que o partido passou por um embate interno entre a bancada da Câmara e do Senado por causa de uma doação do frigorífico JBS no valor de R$ 40 milhões a senadores do partido, a pedido do PT, em 2014. Segundo o delator, o imbróglio teria feito o hoje presidente em exercício Michel Temer (PMDB) a reassumir o comando da legenda naquele ano para “controlar a destinação dos recursos do partido”.

“Essa informação chegou ao conhecimento da bancada do PMDB na Câmara; que a bancada da Câmara foi se queixar a Michel Temer; que esse fato fez com que Michel Temer reassumisse a presidência do PMDB visando controlar a destinação dos recursos do partido; que o depoente não sabe dizer se o grupo JBS obteve algum favorecimento em troca dessa doação”, relatou. O depoimento de Machado citando o imbróglio foi prestado em 6 de maio.

Chapa. A doação milionária para o PMDB teria sido pedida pelo PT, segundo Machado, para as eleições de 2014. À época, PT e PMDB eram aliados e compuseram chapa para a reeleição da petista Dilma Rousseff, com Temer de vice novamente. “O depoente ouviu de diversos senadores nas reuniões na casa do Renan que o grupo JBS iria fazer doações ao PMDB, a pedido do PT, na ordem de R$ 40 milhões; que essa informação foi posteriormente confirmada ao depoente pelo diretor de Relações Institucionais da JBS, ou seja, que este grupo empresarial iria fazer doações no valor de R$ 40 milhões à bancada do Senado do PMDB, a pedido do PT, nas eleições de 2014”, relatou.

Em nota, o presidente em exercício disse que “sempre respeitou os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais”, mas não comentou as afirmações feitas pelo delator de que reassumiu a presidência do partido para controlar a destinação de recursos.

Já o frigorífico JBS reiterou em nota que todas as suas doações foram realizadas “de acordo com as regulamentações do TSE”. Disse ainda que seu diretor de Relações Institucionais não participou de nenhuma reunião. A empresa afirmou que “lamenta que, mais uma vez, a empresa esteja envolvida em acusações que agridem, de forma infundada, sua imagem, marcas, reputação e conduta ética”.

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