Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Sérgio Cabral nega delações de operador

Ex-governador diz 'homem da mala' guarda ressentimentos por nunca ter passado um fim de semana em sua casa e por nunca ter sido levado para trabalhar no governo

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2017 | 19h43

RIO - O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), se ocupou nesta quinta, 7, de desmentir os depoimentos de seus operadores, em audiência desta quinta-feira, 7, para a 7ª Vara Federal Criminal. Ele afirmou que Carlos Miranda, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) por ser o seu “homem da mala”, guarda ressentimentos por nunca ter passado um fim de semana em sua casa em Mangaratiba e por nunca tê-lo levado para trabalhar no governo.

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Nesta quinta-feira, Miranda, que fechou delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu que participou do esquema de propina do ex-governador. Cabral negou a informação e disse que o serviço de Miranda “era dar apoio a pagamentos a familiares e pegar recursos de campanha”.

 “Não tinha intimidade nenhuma com Carlos Miranda. Não ia com ele para lugar nenhum, achava ele um sujeito sem graça. Ele nunca passou final de semana em Mangaratiba”. “Eu quero que ele mostre a materialidade disso (das denúncias). Ele não tem documento nenhum, é só o falar”, afirmou.

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Cabral também atribuiu as confissões de Miranda a transtornos psicológicos. “Ele não está aguentando a prisão, as três sentenças que ganhou. Ele vivia deprimido, chegou a receber visita de psiquiatra, não estava bem. Tomou carona nos depoimentos do Cavendish (Fernando Cavendish, da Delta). “Chega a dar pena dele ao inventar essa história”, disse.

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Já as informações do operador Luiz Bezerra, Cabral atribuiu ao alcoolismo e a limitações intelectuais. “Bezerra veio de uma família humilde, foi praticamente criado na minha casa. Era uma pessoa com limitações intelectuais e acadêmicas. Eu sempre ajudei ele (sic), como no tratamento do seu filho, arrumei emprego para o irmão dele”, disse.

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O ex-governador também criticou o MPF. “Se o MPF trabalhar para que a pessoa confirme a sua versão, ele vai adaptando a realidade ao MPF. Suas anotações (do Bezerra) não tem lé com cré”, disse.

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“Bezerra tinha algumas características como beber muito, houve até agressões verbais à mulher que eu tive que interferir para dar um basta. É uma pessoa que já de manhã estava alcoolizado”, acrescentou.

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