Sérgio Cabral diz que deixa o governo do Rio em 31 de março

Governador vai ceder espaço para que o vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), assuma o cargo por nove meses e trabalhe a imagem para a provável candidatura ao Palácio da Guanabara

Felipe Werneck , Agência Estado

27 Dezembro 2013 | 14h29

Atualizado às 18h30

 

RIO - O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), confirmou nesta sexta-feira, 27, que deixará o cargo em 31 de março para disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Pré-candidato do partido à sucessão estadual, o vice-governador Luiz Fernando Pezão comandará o governo até dezembro de 2014.

Cabral anunciou sua saída em discurso durante a inauguração da primeira delegacia do complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio. "Estou deixando o governo no dia 31 de março. O Pezão vai assumir e não tenho dúvida de que dará continuidade. Fico muito feliz de deixar o governo e passar o bastão, pela confiança que tenho em você (Pezão)", discursou Cabral, ao lado do vice-governador e de dezenas de delegados e policiais.

A 45.ª Delegacia de Polícia, que fica dentro da estação Itararé do teleférico do Alemão, foi inaugurada três anos após a ocupação militar do complexo de favelas. Durante o evento, um morador que protestava contra o que classificou de descaso em relação ao risco de desmoronamento de casas em um trecho da comunidade foi obrigado por assessores do governador a abaixar o cartaz que segurava, com a inscrição: "Fazer delegacia é mole. Quero ver tirar o povo da Lagoinha. Estamos sofrendo. Queremos resposta." O manifestante foi conduzido para fora da estação. "Mandaram abaixar o cartaz e disseram que alguém vinha falar comigo, mas ninguém veio", disse o pintor Paulo Roberto de Souza, de 50 anos.

No fim do discurso, depois de citar obras de sua gestão como o teleférico no morro e a linha de metrô que até 2016 ligará Ipanema, na zona sul, à Barra da Tijuca, na zona oeste, Cabral afirmou que "parte da elite não quer ver o morador do Alemão no Leblon e na Barra, mas a maioria da população é generosa e quer". "É para essa maioria que a gente governa", disse o governador, morador do Leblon, no fim do discurso. A instalação de delegacias no Alemão e na favela da Rocinha foi anunciada pelo governo após a revelação de que o pedreiro Amarildo de Souza foi morto sob tortura por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, que o prenderam ilegalmente, em julho.

Em entrevista após o discurso, Cabral confirmou que vai concorrer ao Senado. Com a popularidade em baixa após ter sido o principal alvo dos protestos iniciados em junho, o governador especulava disputar a vaga, mas ainda não havia anunciado oficialmente sua decisão. Hoje, ele é um dos governadores mais mal avaliados no País. Quando perguntado sobre a situação do senador Francisco Dornelles (PP), eventual candidato à reeleição na chapa governista, Cabral declarou: "O Dornelles é o maior estimulador da minha candidatura". Quanto ao PT, que já anunciou a saída de sua gestão para embarcar na candidatura do senador Lindberg Farias (PT-RJ) ao governo, mas depois adiou a decisão, Cabral disse apenas que está "conversando" com o partido.

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