Sérgio Amaral inicia atuação como ministro

Antes de sua posse, ainda sem data definida, o embaixadorSérgio Amaral iniciou nesta quinta sua atuação como o novo titular do Ministério do Desenvolvimento.Depois de desembarcar emBrasília, por volta das 11 horas, ele encontrou-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso em um almoço de trabalho noPalácio do Planalto.Ainda responsável pela pasta, o ministro demissionário, Alcides Tápias, anunciou sua última vitória nogoverno. Mas, horas depois, a iniciativa acabou minimizada pelo próprio Palácio do Planalto.Tápias emitiu nota na qual informou a aprovação da Câmara de Desenvolvimento Econômico a um antigo projeto de sua equipe? a transformação do álcool em uma commodity de exportação. Essa seria a última medida prática de seus vinte e dois meses degestão.Horas depois, entretanto, o porta-voz da Presidência da República, Georges Lamazière, informou aos jornalistas que oprojeto estava apenas ?em estudo?.Procurada pelo Estado, a assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento afirmou que não houve contradições.Argumentou que a nova política para o setor sucroalcooleiro está montada, mas ainda será detalhada pelo ConselhoInterministerial do Açúcar e do Álcool (Cima).Tápias entregará o ministério na próxima quarta-feira. Na tarde desta quinta-feira, recebeu com Amaral, que se mostrou interessado emconhecer os projetos em andamento na casa e pediu levantamento do trabalho a cada secretário.Na saída do encontro, odiplomata informou que, depois de encerrada a visita do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, na próxima quarta-feira, seguirápara Londres afim de encerrar seus trabalhos como embaixador do Brasil.O ministério deverá ser conduzido, nesse meio-tempo,pelo atual secretário-executivo, Benjamin Sicsú.Amaral afirmou que dará continuidade ao trabalho de seu antecessor e reconheceu seu próprio otimismo em relação aoaumento das exportações brasileiras neste ano.Argumentou que há fatores favoráveis, como a taxa de câmbio, a ?retirada? dealguns impostos, a melhoria da infra-estrutura e o apoio oficial aos empresários.O ministro demissionário, entretanto, reafirmouem seguida a sua principal receita para elevar os embarques ? a mesma que custou o seu cargo.?Para crescer as exportações é preciso criar condições para que o produto brasileiro seja mais competitivo?, afirmou Tápias. ?Para isso, é necessária a reformulação tributária.?A proposta que fecharia a gestão de Tápias prevê a transformação doálcool em um produto de exportação. Sua idéia é explorar o mercado potencial que será aberto nos Estados Unidos, a partir dejaneiro de 2003, com a substituição do MTBE pelo etanol como aditivo à gasolina.A Argentina é outro mercado possível. Oconsumo mundial do produto atualmente alcança 40 bilhões de litros, e a capacidade de produção no Brasil, 16 bilhões de litros.De acordo com nota divulgada pelo ministério, a iniciativa recebeu o aval da Câmara de Desenvolvimento Econômico nesta quinta-feira.?Osinal verde do presidente foi dado para a elevação das exportações de álcool?, reiterou Tápias.Para permitir uma produção estável, a preços igualmente previsíveis, a proposta prevê a criação de um mercado de futurosexclusivamente para o açúcar e o álcool.Estará baseado nas Cédulas do Produtor Rural (CPRs), que terá uma novaregulamentação imposta pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima) ?em breve?, conforme informa a mesmanota.

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