'Serei candidato se minha candidatura servir ao País', diz Ciro

Em sabatina nesta terça-feira, deputado federal não descarta sucessão, mas considera debate prematuro

Elizabeth Lopes, da AE

22 de abril de 2008 | 14h48

O deputado federal  Ciro Gomes (PSB-CE) não descarta a possibilidade de concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2010. Durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo na manhã desta terça-feira, 22, na Capital, ele destacou: "Serei candidato se entender que minha candidatura serve ao País, se for o meu destino, será uma honra". Apesar da declaração, o ex-ministro considera a discussão prematura. "É muito cedo, pois eleição presidencial é em 2010 e o País merece que a gente concentre nossas energias em garantir o que está bom e melhorar o que está faltando", emendou.  Durante a sabatina, Ciro Gomes impressionou os entrevistados pela postura branda e nada parecida com a que ele adotou na campanha presidencial de 2002. Um dos entrevistadores chegou a classificar o ex-ministro de "Ciro paz e amor", numa referência ao seu novo comportamento. Questionado sobre a mudança, ele foi taxativo: "Não mudei de comportamento, não, sou a mesma pessoa. Às vezes exagerei, mas não foi de má fé", afirmou. O deputado também comentou a discussão que teve com a atriz Letícia Sabatella, em razão ao imbróglio a respeito da transposição do Rio São Francisco, e reconheceu que "é inconcebível para alguém que vai servir o País" os destemperos verbais. Ele reconheceu também que cometeu muito erros na campanha de 2002 e que, por estar mais maduro, com 50 anos, conseguiu aprender com esses fatos. "Agradeço a Deus não ter sido eleito (em 2002) pois eu não estava maduro nem preparado. E toda vez que eu falo isso para o Lula, ele diz que também agradece por não ter sido eleito em 89", disse. Ciro Gomes falou também a respeito das eleições municipais deste ano e informou que seu partido está dando autonomia para os diretórios municipais deliberarem a respeito do tema. Na sua avaliação, a prioridade é que a legenda tenha candidatura própria no maior número de municípios possíveis. Se não for viável, a prioridade é para o lançamento das candidaturas dos partidos do bloco (PCdoB, PDT, PRB, PMN e PHS). O outro critério, é apoiar os aliados do governo Lula, sobretudo o PT. O parlamentar confirmou, contudo, que a direção do PSB em São Paulo tem conversado com os pré-candidatos Gilberto Kassab (DEM) e Geral do Alckmin (PSDB). Ainda sobre política, Ciro Gomes foi indagado se aceitaria ser vice candidato numa chapa presidencial encabeçada pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB). "Não cogito ser candidato a nada, mas posso ser a qualquer coisa na hora própria, ou seja, decidindo em junho de 2010", desconversou. O ex-ministro falou também a respeito das discussões em torno do terceiro mandato: "este pseudo fato já está prejudicando o País". Ciro Gomes declarou, ainda, a respeito da intenção do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, de rever o Tratado de Itaipu. Segundo ele, não deve haver revisão do contrato, pois o País já vem sendo remunerado, "mas isso não quer dizer que a gente não deva aceitar a proposta de diálogo com o governo eleito democraticamente no Paraguai", destacou. E complementou, reiterando que não há razão para rescisão.

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