André Dusek/AE
André Dusek/AE

'Será uma CPI de defesa da Petrobras', diz líder do PSDB

Oposição criou a CPI com 30 assinaturas, três a mais do que o necessário; partidos devem indicar integrantes

16 de maio de 2009 | 16h19

O governo tentou até o último minuto, mas não conseguiu barrar a CPI que vai investigar a Petrobras. A instalação da comissão deve acontecer nos próximos dias, assim que os partidos indicarem os integrantes da CPI, segundo informações da Agência Senado. Ao todo, o documento contou com 30 assinaturas, três a mais do que o exigido para se criar a CPI proposta pelo senador tucano Álvaro Dias (PR). "Nós vamos agir com o máximo de responsabilidade em relação à Petrobras", disse o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), à Agência Senado. "Será uma CPI de defesa da Petrobras", completou.

 

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Surpreendido com a leitura de requerimentos para criação de duas CPIs contra a estatal no Senado, o Palácio do Planalto desencadeou uma operação para retirar as assinaturas e abafar as investigações. Conseguiu apenas duas adesões. O requerimento que contava originalmente com 32 assinaturas passou a ter 30, saldo que já indicava a derrota do governo. O senador tucano aproveitou o confronto entre a Petrobras e a Receita Federal para pedir a apuração da manobra contábil que rendeu à estatal compensações fiscais de R$ 4 bilhões. De quebra, solicitou investigação na Agência Nacional do Petróleo (ANP).

 

Já o segundo requerimento para investigar a Petrobras foi barrado, segundo informações da Agência Brasil. Número suficiente de assinaturas foi retirado do documento, que obteve o apoio de apenas 24 senadores, número abaixo das 27 necessários para criar a CPI. O pedido é de autoria do senador Romeu Tuma (PTB-SP) e pretendia investigar supostas irregularidades nos contratos de construção das plataformas da Petrobras P-52 e P-54.

 

Na prática, a instalação da CPI só ocorreu após manobra bem sucedida de quatro senadores tucanos que, diante de um plenário vazio, leram requerimento para sua criação na manhã de ontem. A tática foi deflagrada na noite de quinta-feira, logo após bate-boca entre parlamentares do PSDB e do DEM. Na ocasião, Heráclito Fortes (DEM-PI) e Mão Santa (PMDB-PI) recusaram-se a ler o requerimento e a sessão foi abruptamente encerrada pela petista Serys Slhessarenko (MT).

 

Irritados, os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE), presidente da legenda, e Tasso Jereissati (PSDB-CE) deixaram o plenário e já estavam no aeroporto quando foram alcançados pelo líder do PSDB, Arthur Virgilio Neto (AM), que os convenceu a permanecer em Brasília. Tasso chegou a emprestar seu avião particular para que o segundo-vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), voltasse às pressas de Goiânia para Brasília, com o objetivo de presidir a sessão e ler requerimento. Da base aliada, apenas o senador João Pedro (PT-AM) apareceu ontem pela manhã no plenário.

 

(Eugênia Lopes e Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo)

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