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'Será muito difícil fechar acordos em meio à crise', diz Obama

Durante encontro na Casa Branca, que durou quase duas horas, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama se comprometeram a combater o protecionismo, mas jogaram um balde de água fria no avanço do comércio mundial. “Nosso objetivo é que pelo menos não haja retrocesso (no comércio)”, disse Obama, comentando protecionismo. “Será dificil para nós concluirmos uma série de tratados de comércio em meio a uma crise econômica.”

Patrícia Campos Mello, correspondente de O Estado de S.Paulo,

14 de março de 2009 | 15h46

A comitiva de Lula chegou às 10h56 à Casa Branca, para o encontro que começou pontualmente às 11h. No lado brasileiro, participaram da reunião a ministra Dilma Rousseff, o ministro Celso Amorim, embaixador Antonio Patriota e Marco Aurélio Garcia e Maria Laura, chefe de gabinete de Amorim. No lado americano, James Steinberg, o sub-secretário de Estado, general James Jones, titular no conselho de segurança Nacional, Thomas Donilon, vice no conselho,  Dan Restrepo, assessor para assuntos de Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional e Larry Summers, presidente  do Conselho de Assessores Econômicos.

 Obama passou uma duas horas com as autoridades brasileiras – sendo meia hora a sós, com os intérpretes, e 40 minutos respondendo a perguntas da imprensa. O encontro foi descontraído e cheio de piadas. “Digo ao povo do Brasil que estou rezando mais para Obama do que para mim mesmo, porque com apenas 40 dias de mandato, ele já pegou um pepino desses”, disse Lula, ante risadas gerais.”Você deve ter falado com a minha mulher”, disse Obama.

Lula disse a Obama que iria levá-lo para andar de carro bicombustível quando ele fosse ao Brasil.  Obama disse que já teve um carro bicombustível nos EUA, mas que o problema é que existem poucos postos para abastecimento nos EUA

Obama disse que Hillary e Celso Amorim vão se encontrar para discutir formas de combater o protecionismo. “Nós discutimos isso émuito importante para mim, o ministro Celso Amorim e a secretária Hillary Clinton vão se encontrar para discutir essa questão em mais detalhes “, disse Obama.”É importante para todos países reconhecerem que comércio é um motor do crescimento, há uma tendência de as pessoas se virarem para dentro em tempos de crise, e quererm que os sacrifícios sejam feitos em outros lugares.”

Perguntado sobre  a cláusula Buy American, que apesar de amenizada continua excluindo Brasil, Rússia, Índia e China de fornecer bens para o pacte de estíumulo americano, Obama desconversou.”No caso do Buy American, quisemos garantir que ele não violasse as regras da OMC.”

Obama disse que não vê a hora de ir para o Brasil. Perguntado sobre datas, Obama afirmou: “Não sei, mas porque cresci no Havaí, preciso conhecer o Rio que tem praias lindas”. E Manaus? “Tenho certeza de que os republicanos adorariam que eu me perdesse na selva amazônica”, brincou, em uma refência ao ex-presidente Teddy Roosevelt. Informado por uma repórter de que as pessoas no Brasil gostam muito dele, Obama disse: “É, ouvi dizer que tenho alguns amigos no Brasil”, brincou. “E eu podia ser brasileiro, absolutamente.”

Os dois falaram também sobre expansão da cooperação em biocombustíveis, especialmente produção em terceiros países e  colaboração no G-20.

 

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