Ser alvo de investigação é 'inversão de papéis', diz Protógenes

Para delegado que comandou a Satiagraha, em vez dele, alvo da investigação deveria ser o banqueiro Dantas

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo,

01 de abril de 2009 | 16h24

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz esteve no Congresso nesta quarta-feira, 1º, pela segunda vez em menos de uma semana, e afirmou estar havendo "inversão dos papéis" ao advertir que ele está sendo alvo de investigação em vez do banqueiro Daniel Dantas. Protógenes comandou a Satiagraha, no ano passado, que provocou a prisão temporária do dono do grupo Opportunity.

 

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O delegado deveria depor hoje na CPI dos Grampos, na Câmara. O depoimento, no entanto, foi adiado ontem pelo presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), com o objetivo de deixar mais próximos possíveis as oitivas de Protógenes e de Paulo Lacerda, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Lacerda é hoje adido policial em Portugal e alegou dificuldade em vir ao Brasil esta semana. Ele deveria depor na CPI amanhã.

 

Ao repisar não ter cometido nenhuma irregularidade no comando da Satiagraha, Protógenes alegou que só ingressou com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) - e que o permite ficar calado no próximo depoimento na CPI - porque foi informado pela imprensa que poderia deixar a Câmara preso e algemado. O presidente da CPI negou qualquer possibilidade de isso ocorrer.

 

Frisando estar no Congresso com "postura" única de delegado da Polícia Federal - é voz corrente nos corredores da Câmara e do Senado que Protógenes quer disputar uma cadeira de deputado federal nas eleições do ano que vem -, Protógenes deixou no ar que "algo obscuro" pode estar por trás da operação Castelo de Areia.

 

Ao ser indagado se não considerava estranho o fato de vários partidos políticos aparecerem como receptores de verbas da construtora Camargo Corrêa, com exceção do PT, Protógenes afirmou que se houver "algo maior" será esclarecido brevemente. "Eu acredito que os próprios fatos que estão sendo noticiados pela imprensa nos levam a crer que alguma coisa obscura nos revela que esconde algo maior dentro de toda essa nova investigação. E logo, evidentemente, vai ser esclarecido pelos colegas que conduziram essa investigação. Estou me referindo a fatos que, de início, não são revelados na investigação em razão da compartimentação", afirmou.

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