Filipe Araujo / Estadão
Filipe Araujo / Estadão

Sequência de 'trapalhadas' culminou em vaias a Aécio e Alckmin

Para líder da oposição, erros facilitaram vaias a tucanos

Pedro Venceslau e Valmar Hupsel, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2016 | 20h41

Líderes da oposição avaliam que as hostilidades registradas na primeira participação dos dois principais presidenciáveis do PSDB em manifestações pelo impeachment na Avenida Paulista foram ocasionadas por uma sequência de “trapalhadas” que acabaram ofuscando em parte o apoio que eles receberam da maioria dos presentes ao ato.

O primeiro erro estratégico foi o deslocamento do senador Aécio Neves e do governador Geraldo Alckmin da sede do governo paulista, no Morumbi, até a Avenida Paulista. No Palácio dos Bandeirantes os auxiliares de Alckmin se dividiram na semana passada sobre a conveniência da ida dele ao protesto.

Um grupo defendia que ele fosse com a família (e sem um séquito de políticos ao redor) e outro que ele não fosse ao evento. Ambos acabaram sendo surpreendidos pela decisão do tucano de embarcar com Aécio em uma van junto com uma comitiva de cerca de 15 políticos que o visitou para uma café antes do protesto.

Para reforçar que estava participando como um “cidadão”, Alckmin optou por não usar batedores para abrir caminho. Resultado: o grupo ficou preso no trânsito e um clima de tensão se instalou no veículo.

Abriu-se então um debate sobre o que fazer, já que era por volta das 15hs, a manifestação estava no auge e a região completamente lotada. Por sugestão do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), a comitiva optou por abrir mão de ir até o hotel Maksoud Plaza, onde havia um encontro marcado com outros parlamentares e correligionários, e ir direto para o Masp, onde estava o caminhão do Movimento Brasil Livre (MBL).

"O principal erro foi esse. No hotel havia umas 200 pessoas nossas (da Força Sindical) esperando. E o motorista da van ainda não sabia o caminho”, conta o deputado Paulinho da Força (SP), presidente do Solidariedade, que estava no veículo. Sem o “suporte” dos aliados, segundo ele, Aécio e Alckmin ficaram “vulneráveis” diante do público assim que desembarcaram.

De fato, as primeiras hostilidades ocorreram logo na saída da van. Até a chegada ao espaço em torno do caminhão do MBL, o senador Aécio Neves ainda não havia decidido se falaria ao microfone. Já Alckmin avisou previamente que não usaria a palavra. “É difícil prever o que teria ocorrido se eles falassem, mas acho que seriam aplaudidos”, arrisca o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), líder da oposição na Câmara.

Reservadamente, um tucano aliado de Alckmin discorda da avaliação e diz que o ideal era que a dupla Alckmin e Aécio fosse até um local na Paulista onde não houvesse carro de som. Dessa forma evitaria-se a polêmica sobre o palanque. "Já havia uma disposição de não fazer discurso. As manifestações contrárias, apesar de barulhentas, foram minoritárias", diz o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que estava na comitiva.

Nos bastidores, aliados de Aécio e Alckmin reconhecem que o senador José Serra (PSDB-SP), que também pleiteia a vaga de candidato à Presidência em 2018 , adotou a melhor estratégia: ignorou os colegas e foi sozinho até uma rua transversal à Avenida Paulista. De lá foi caminhando até o trecho onde estavam os carros de som do Vem Pra Rua e da Ação Popular, grupo ligado a juventude do PSDB.

Em tempo: o senador esteve em todas as manifestações na capital em 2015.     

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