Sentença do caso Galdino teve palmas e vaias

Nervosismo, palmas e vaias. A condenação a 14 anos de prisão de Max Rogério Alves, Tomás de Oliveira Almeida, Eron Chaves de Oliveira e Antônio Novély Vilanova causou reações diferentes entre os que acompanhavam o julgamento pela assassinato do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. Os acusados ouviram a decisão de mãos dadas, na frente da juíza Sandra de Santis. "Os quatro abaixaram a cabeça e choraram. Ficaram bastante abatidos com a condenação", disse o advogado de defesa Raul Livino.Depois que a juíza anunciar a pena de 14 anos de cadeia por homicídio doloso (quando o criminoso tem a intenção de matar), os 32 índios pataxós presentes bateram palmas e se abraçaram. Parentes e amigos dos quatro condenados vaiaram o júri. Grande parte dos estudantes universitários e advogados que acompanhavam o julgamento aderiram aos protestos contra a decisão. Havia insatisfação também por parte de policiais que escoltavam os rapazes e de algumas auxiliares da juíza, que choravam. A mãe de Novély, Antônia, descontrolou-se minutos antes do veredicto, ao ser informada antecipadamente de que os jurados consideraram que seu filho cometera homicídio. Ela chorou alto e soluçou.A assistente da acusação, Herilda Balduino, antecipou aos jornalistas o resultado. Desapontados, os advogados dos jovens tentavam demonstrar tranqüilidade diante da decisão desfavorável. Normalmente extrovertido e comunicativo, o advogado Heraldo Paupério evitava falar com os jornalistas. Nervoso, seu colega de bancada Livino chamou Herilda de "carniceira". Recurso - Ele informou que a defesa vai encaminhar um recurso ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal para tentar fazer um novo júri para os quatro rapazes.Segundo o advogado, a decisão contrariou o processo, do qual constariam apenas provas de lesão corporal e não de homicídio doloso. O fato de a juíza ter fixado a pena em 14 anos dificulta um pouco a pretensão. Se a punição fosse superior a 20 anos, os réus teriam automaticamente direito a novo júri. Mas como esse limite não foi ultrapassado, a defesa terá de tentar uma decisão da Justiça para outro julgamento.Regime fechadoA condenação por homicídio doloso com qualificações era o pior dos quadros para os rapazes, conforme um dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque, por ser considerado desde 1994 um crime hediondo, não é possível a progressão da pena, ou seja, a passagem do regime de prisão fechado para o semi-aberto, por exemplo. O promotor Maurício Miranda ficou satisfeito com a sentença e não vai recorrer.Pela condenação imposta pelo júri, os jovens terão de cumprir pelo menos dois terços dos 14 anos. Na conta do tempo que ainda passarão na cadeia terão de ser levados em consideração os dias trabalhados - para cada três dias de serviço, um será descontado da pena. FestaDo lado oposto, os índios comemoravam a vitória, atribuída por muitos ao advogado e deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), que auxiliou na acusação. A mãe de Galdino, Minervina, deixou o tribunal antes da sentença, quando Paupério fez declarações contra os índios. No fim do júri, parentes dos réus e índios não se encontraram.A segurança do Tribunal de Justiça tratou de tirar pais, amigos e parentes de Eron, Novély, Max e Tomás da sala antes que um grupo de pataxós saísse do local. Os índios foram às ruas dançando, tradição que envolve lamentos e festa. A juíza Sandra de Santis, que durante o julgamento pareceu tranqüila e sempre sorridente, não quis falar com a imprensa e se manteve séria antes e durante o anúncio da sentença.

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