'Senha para acordo sobre CPMF é desonerar tributos', diz Aécio

O governador tucano diz que, para haver negociação, seu partido espera que o governo 'faça gestos'

Eduardo Kattah, do Estadão

20 Outubro 2007 | 14h40

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse neste sábado, 20, que o PSDB espera que o governo "faça gestos" no sentido de desonerar a carga tributária e garantir mais recursos para a saúde a Estados e municípios na negociação de um acordo que permita a aprovação no Senado da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. "Essa é a senha. Essa é a sinalização que nós estamos dando", observou.   Veja Também:   Dê sua opinião sobre a CPMF  Entenda a cobrança da CPMF  Tucanos acenam negociar CPMF com aval de Serra e Aécio   Na sexta-feira, em São Paulo, Aécio e o governador José Serra - os mais cotados como presidenciáveis tucanos em 2010 - se reuniram com a direção do partido e líderes no Congresso para alinhar a estratégia e o discurso. O mineiro tem repetido que o governo só terá sucesso na tramitação da CPMF no Senado caso abra negociação com os governos estaduais.   Aécio a princípio insistia na repartição da arrecadação da contribuição provisória com Estados e municípios, mas reformulou a proposta para a redução de PIS e Cofins na área de saneamento e maior divisão da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Um acordo que leve à desoneração da carga tributária e repartição de outros tributos, como sugere o governador, preservaria a receita da CPMF - estimada entre R$ 38 bilhões e R$ 40 bilhões em 2008.   Na semana passada, em Belo Horizonte, Aécio discutiu com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, uma proposta de elevação da parcela de 0,20% para a área, o que levaria ao aumento dos investimentos nos Estados e municípios. "Se o governo tiver condições de assegurar mais recursos para a saúde, sobretudo recursos que possam ser investidos pelos Estados e municípios, e acenar com a desoneração da carga tributária, nós estamos dispostos a sentar à mesa e conversar", destacou ontem (20) o governador mineiro, durante o velório, no Palácio da Liberdade, do ex-ministro, ex-governador e ex-embaixador José Aparecido de Oliveira, que faleceu no início da noite de sexta-feira, aos 78 anos.   "É preciso que o governo faça gestos no sentido de desonerar a sociedade brasileira, senão especificamente em torno da CPMF, mas de outros impostos; mas em especial de garantir mais recursos para a saúde", insistiu.   Aécio classificou a reunião tucana da véspera como "uma conversa natural entre dirigentes partidários sobre a CPMF". Também na semana passada, o governador recebeu a visita do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que em sua cruzada contra a prorrogação da CPMF, cobrou que o PSDB adotasse uma postura clara de oposição à contribuição.

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