Senadores vão ao STF na tentativa de reabrir caso

O clima político no Senado esfriou, mas a oposição dá sinais de que não dará sossego ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Ontem, os advogados do PSOL ingressaram com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a tramitação do recurso que um grupo de senadores apresentou contra o arquivamento das 11 representações contra Sarney no Conselho de Ética. Na ação, os advogados avaliam que "a competência do plenário não poderia, nunca, ter sido usurpada pela Mesa, quanto mais por um ato unilateral e monocrático". Isso porque o recurso contra o arquivamento foi apresentado ao plenário por um grupo de onze senadores, mas a segunda vice-presidente, Serys Slhessarenko (PT-MT), negou a tramitação, alegando que o regimento interno não prevê recurso de decisão do Conselho de Ética a não ser ao próprio órgão. "É forte o dano e irreparável o prejuízo à imagem e prerrogativa dos parlamentares impetrantes, com o perigo do descredenciamento e retirada de legitimidade dos parlamentares frente aos seus eleitores", anota o documento. O mandado é assinado por sete senadores de quatro partidos. São eles Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES), Jefferson Praia (PDT-AM), Demóstenes Torres (DEM-GO), Pedro Simon (PMDB-RS) e Kátia Abreu (DEM-TO).ROTINAAlvo da ação, Sarney passou o dia de ontem no Senado em compromissos protocolares. Pela manhã, esteve o tempo todo ao lado do senador Fernando Collor (PTB-AL). À tarde, voltou ao plenário para presidir a sessão, que seguiu tranquila, sem manifestações dos senadores contrários à sua permanência na presidência da Casa, como ocorreu anteontem. Na próxima semana, porém, se Sarney quiser imprimir o clima de normalidade ao Senado, terá de enfrentar a oposição para conseguir votar projetos em plenário. Na última terça-feira, os líderes do DEM e do PSDB boicotaram a reunião de líderes e prometem fazer jogo duro com a base aliada nas próximas reuniões plenárias. "Só aceitaremos votar propostas absolutamente necessárias para o País. Não podemos deixar passar à sociedade a aparência de normalidade no Senado, sendo que não voltamos à normalidade", disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Carol Pires, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2009 | 00h00

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