Senadores tentam achar "pena alternativa"

Uma nova articulação entrou em curso para tentar evitar a cassação dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (PSDB-DF) e transformá-la em perda temporária do exercício do mandato, por 30 dias, prevista no Código de Ética do Senado. Depois do depoimento da ex-diretora do Prodasen, Regina Borges, ACM reuniu-se com o primeiro vice-presidente do Senado, Édison Lobão (PFL-MA) e o primeiro-secretário do Senado, Carlos Wilson (PPS-PE) para tentar encontrar uma saída honrosa. Só que o esforço pode ser em vão, por causa da pressão crescente da opinião pública sobre o Congresso. Muitos senadores advertem que não há como fugir da cassação. "É impossível, neste momento, conter a fúria da opinião pública", avisou um influente senador.Ontem, todas as declarações dos integrantes do Conselho de Ética tratavam das dificuldades que serão enfrentadas pelos dois senadores acusados, para se livrarem da cassação. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), que integra a comissão, defendeu a acareação entre ACM e Arruda com a ex-diretora do Prodasen. Para ele, "a eventual recusa dos senadores a uma acareação seria a confissão da culpa". Indagado se a confissão poderia amenizar a situação deles avisou: "Seria um gesto dignidade, mas não sei se seria atenuante".O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ), relator do conselho, que pretende concluir seus trabalhos em 30 ou 40 dias, avisou que vai pedir a quebra de sigilo telefônico de Arruda e ACM, como também dos funcionários do Senado acusados de levar a cabo a violação do painel de votação. Ele disse não acreditar na possibilidade de acordo entre as principais forças políticas do Senado para superar essa crítica política e atenuar a situação dos senadores acusados. Isto porque, segundo ele, "a opinião pública está mais exigente e a imprensa mais atenta".

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