Senadores retiram assinatura de documento para inviabilizar CPI

A pedido dos líderes partidários, 12 senadores retiraram suas assinaturas do requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar remessas ilegais de U$ 30 bilhões para o exterior por meio de contas CC-5. Parte dos recursos foi depositado na conta do Banestado em Nova York. Com a desistência desses senadores, o requerimento propondo a CPI foi devolvido ao senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), que o apresentara na quarta-feira à Mesa do Senado. As assinaturas foram retiradas - inviabilizando a criação da CPI no Senado - em função de um acordo feito pela manhã entre os líderes de todos os partidos políticos, que contaram com o compromisso do líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), de que a Polícia Federal vai aprofundar as investigações sobre o caso. O requerimento de Antero Paes de Barros, que tinha 37 assinaturas, acabou ficando com 25 - um número inferior ao exigido pelo Regimento Interno do Senado, que é de 27 assinaturas para a instalação de CPIs. Entre os senadores que desistiram de apoiar a CPI estão Rodolpho Tourinho (PFL-BA), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Geraldo Mesquita (PSB-AC), Paulo Paim (PT-RS), José Jorge (PFL-PE), Heráclito Fortes (PFL-PI), Aelton Faris (PL-MG), Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR) e Luiz Otávio (PMDB-PA).300 picaretasA atitude dos senadores desistentes irritou Paes de Barros. Ele afirma que, sem a CPI, o crime vai prescrever, e os responsáveis não serão punidos. "Estão prescrevendo US$ 30 bilhões", disse. Ele declara não ter compromisso em preservar políticos do PSDB, caso algum deles esteja envolvido na remessa ilegal de dólares para o Exterior. "Não tenho compromisso com ninguém do PSDB que seja ladrão, meu partido foi criado com o compromisso da ética", afirmou. Segundo o senador, a desistência do PT de apoiar a CPI "dá razão ao velho discurso de Lula de que há 300 picaretas no Congresso". O delegado da Polícia Federal José Francisco de Castilho Neto, que denunciou a operação irregular ao prestar depoimento no Senado, afirmou que ela envolve políticos e empresários.

Agencia Estado,

29 de maio de 2003 | 18h05

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