Senadores reforçam denúncia sobre pressões

Brasília - O secretário-adjunto do Senado, Marcos Santi, formalizou ontem sua saída do cargo, após se reunir com os senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) e com o corregedor, Romeu Tuma (DEM-SP). Santi teria justificado sua saída alegando que existem "indícios muito evidentes de que a presidência do Senado interferiu na condução das investigações". Segundo versão de Casagrande e Marisa, o funcionário disse que "se tentou plantar nulidade no processo e levá-lo a uma direção que pudesse colaborar na defesa do presidente do Senado (Renan Calheiros -PMDB-AL)". "Isso por, si só, já configura quebra de decoro parlamentar, por abuso de prerrogativas", acusou Casagrande, um dos relatores do processo contra Renan. Mais tarde, Santi recuou na acusação de pressão, em documento que foi lido pelo presidente do Senado em plenário. "Em momento algum concedi entrevista, o que pode ser comprovado com as formas mais desencontradas que os diferentes órgãos de comunicação têm divulgado o assunto", escreveu o servidor. Em sua defesa, Renan voltou a alegar nunca ter usado a máquina da Casa em seu proveito. Foi rebatido, entre outros, pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Segundo ele, as dúvidas foram geradas pela insistência do parlamentar alagoano em permanecer no comando do Senado. "Esta casa está virando uma bagunça. O que está acontecendo é por única e única responsabilidade do senhor Renan", afirmou, defendendo o comparecimento em peso dos colegas no Conselho de Ética na sessão de hoje. No centro da nova crise está a adoção do voto aberto ou fechado na reunião de hoje do colegiado. Quatro membros da Consultoria Legislativa do Senado, em resposta ao presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), deram parecer defendendo o voto secreto.É outro, porém, o parecer da mesma consultoria na nota técnica feita a pedido do líder do DEM, José Agripino (RN). Nela se afirma que as hipóteses de voto secreto no Congresso devem ser as abertamente mencionadas na Constituição, "não podendo o legislador ordinário, mediante lei ou resolução, instituir novas hipóteses, sob pena de malferir o aludido princípio constitucional".

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