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Senadores reduzem pressão sobre Jader

A saída de cena do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), é conveniente ao Palácio do Planalto, ao PFL que amargou para o peemedebista a derrota de seu maior líder - o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA) -, e ao PSDB, que disputa com as legendas de esquerda a bandeira da ética na política. Mas todos os partidos acabaram recuando da pressa de vê-lo pelas costas. Motivo: ninguém quer estimular a onda da "bola da vez" porque todos, inclusive a oposição, temem abrigar a próxima vítima. A mais evidente demonstração de recuo partiu do PMDB. Depois de renunciar à relatoria do caso Banpará, o senador João Alberto (PMDB-MA) acabou convencido a retomar seu posto pelo líder Renan Calheiros (PMDB-AL), ao mesmo tempo em que o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que articulava um jantar da bancada de senadores para forçar a renúncia de Jader, cancelava os convites. O PMDB decidiu não tomar posição sobre um caso que ainda está sendo investigado, mas um dos mais importantes dirigentes nacionais do partido avisa logo que não se trata de manifestação de apreço ao presidente licenciado. "Longe de ser uma manifestação de solidariedade, o que explica este recuo geral é a autoproteção", resume o cardeal do PMDB. Segundo este político, não há quem discorde da avaliação de que o Jader Barbalho está "politicamente morto" e que dificilmente concluirá seu mandato de senador. Que ele não voltará à cadeira de presidente, a certeza é tamanha que ninguém mais discute o assunto. A questão é não permitir um "julgamento de exceção" no caso de Jader. "O lema em questão é o de que a próxima vítima pode ser você", explica o dirigente peemedebista. De fato, há vítimas em potencial em todos os partidos, inclusive no PFL, já vitimado com a renúncia de ACM. A oposição também entrou na onda da bola da vez, diante da ameaça do PFL de reabrir o caso da violação do painel de votações do Senado para investigar a participação do ex-líder petista José Eduardo Dutra (SE), no episódio. No primeiro momento, a reação geral da elite do Congresso que teve acesso à nota técnica e à denúncia do procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi uma só: havia indícios demais e provas concretas de menos. Esta primeira leitura foi considerada motivo de sobra para evitar o açodamento no caso Banpará. Embora a decepção inicial com o trabalho dos procuradores tenha freado o ímpeto de muitos que trabalhavam para se livrar da presença incômoda de Jader, a postura cautelosa não foi abandonada depois de um exame mais criterioso do material produzido pelos investigadores.Hoje, os críticos da primeira hora já salientavam que a nota técnica do Ministério Público Federal era muito grave. Concluiu-se que as notas das fitas registradoras dos caixas dos bancos envolvidos nas operações do Banpará não produziram apenas evidências lógicas. "Elas mostram com clareza os beneficiários das aplicações financeiras", atesta cardeal do bloco da oposição.

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