Senadores rechaçam ''ingerência'' presidencial

Lula não deve se intrometer em assuntos do Legislativo, diz tucano

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

Senadores da oposição reagiram ontem às críticas do presidente Lula à instalação da CPI da Petrobrás. Autor do requerimento de criação da comissão, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sugeriu ao presidente que ele se ocupe em analisar o "loteamento" da Petrobrás entre os partidos que o apoiam, "em vez de ficar se intrometendo em assuntos fora da sua área de competência". "Ele (Lula) não deve se intrometer nos assuntos do Legislativo para evitar que a CPI se instale", disse o líder do DEM, senador José Agripino Maia. "Bem melhor é que cada um cumpra com sua função, ele nos governando e nós, fiscalizando, como é de direito." Para Álvaro Dias, o presidente deveria estimular a investigação "e não adotar atitude de quem é cúmplice com as fraudes". "Aliás, essa mesma estratégia autoritária de acusar a oposição sempre que há denúncia também foi adotada contra a CPI do Mensalão", comparou.O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse que Lula não deve confundir a prática da oposição de hoje com a "leviandade e irresponsabilidade" que, segundo ele, norteavam os atos do PT antes de assumir o governo. "O presidente não tem nenhuma autoridade e nem condições ética e moral para dar lição na oposição. E agora vem falar contra a CPI?"Sobre a afirmação de Lula de que a oposição "quer brincar com a imagem da empresa", o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), foi taxativo, ao negar a existência de um conluio. "O presidente Lula pode ficar certo de uma coisa, nós não queremos fazer discursos contra a Petrobrás", garantiu Guerra. "Queremos, sim, é fiscalizar a empresa e nos limitaremos a fazer isso." Para o tucano, a preocupação de Lula não tem consistência. "Se ele está preocupado com isso, pode relaxar. Vamos fiscalizar a Petrobrás, e assim cumprir com a nossa obrigação."

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