Senadores propõem anulação de ato que tirou Jango do poder

Grupo apresentou projeto de resolução que devolve cargo a ex-presidente

Débora Álvares - O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2013 | 17h09

Brasília - Um grupo de senadores protocolou nesta quarta-feira, 13, um projeto de resolução para anular a sessão do Congresso Nacional que destituiu o ex-presidente João Goulart por meio do golpe militar, em abril de 1964, e lhe devolve, assim, o cargo. A formalização da proposta ocorreu no dia da exumação dos restos mortais de Jango, em São Borba, Rio Grande do Sul.

Autor da proposta, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) definiu o projeto como um "resgate da história nacional". "O que foi praticado no Congresso Nacional na madrugada de 1º para 2 de abril de 1964 foi uma violência contra a Constituição, contra o povo brasileiro. O que pretendemos é resgatar a história, a memória nacional, os valores da democracia", disse após entregar pessoalmente o projeto ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Ele foi acompanhado do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que lembrou como "violenta" a destituição de Jango do cargo. Renan disse que essa é uma oportunidade para limpar "essa mancha na história do Brasil" e deve incluir o projeto na próxima sessão.

Os trabalhos de exumação do corpo do ex-presidente começaram antes das 7 horas desta quarta-feira com a chegada da equipe de peritos. Não há prazo para a conclusão do processo.

O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo confirmou a recepção dos restos mortais nesta quinta-feira, 14, em Brasília, na presença da presidente Dilma Rousseff, autoridades civis e militares, além de representantes do corpo diplomático. "Essas honras são devidas há muito tempo ao presidente João Goulart", afirmou. / Colaborou Laura Greenhalgh

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