Senadores prometem entrar com novas denúncias contra Sarney

Virgílio e Cristovam informaram que amanhã vão protocolar mais duas representações no Conselho de Ética

CAROL PIRES, Agencia Estado

29 de julho de 2009 | 17h36

Os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF) informaram nesta quarta-feira, 29, que vão apresentar amanhã duas novas denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ao Conselho de Ética. A primeira denúncia será baseada em reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual Sarney teria vendido propriedades sem o devido pagamento de impostos. "A nebulosa transação agride a Lei número 8.137/90, que prevê crimes contra a Ordem Tributária", diz a nota, assinada pelos dois senadores.

 

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A outra denúncia terá como fundamento notícia do jornal Correio Braziliense, na qual Aluísio Guimarães Filho, agente da Polícia Federal (PF) cedido pela presidência da República ao senador José Sarney, na cota de funcionários de ex-presidentes da República, passava informações sigilosas da PF ao empresário Fernando Sarney, investigado pela instituição na Operação Boi Barrica. "Tal atitude colide com o artigo 325 do Código Penal: revelar fatos de que se tem notícia, em razão do cargo que ocupa e que deva permanecer sob sigilo. E configura, mais uma vez, a forma incestuosa com que o senhor José Sarney e seu grupo político-empresarial tratam a coisa pública", continua a nota.

 

Nesta quarta-feira, o PSOL entrou com a segunda representação contra Sarney. Ao todo são nove pedidos contra o peemedebista no órgão. Seis representações: três do PSOL e três do PSDB. E quatro denúncias do líder tucano Arthur Virgílio. Uma vez aceitas, as representações podem virar processo de cassação contra o peemedebista. O PSOL pede ao conselho que investigue se Sarney teve participação no esquema de desvio de R$ 500 mil de um patrocínio cultural da Petrobras pela Fundação José Sarney e o fato de o peemedebista ter ocultado da Justiça Eleitoral a propriedade de uma casa em Brasília, avaliada em R$ 4 milhões.

Cristovam Buarque anunciou nesta quarta, por meio de sua assessoria de imprensa, que irá assinar as quatro denúncias que haviam sido registradas por Arthur Virgílio ao Conselho de Ética anteriormente. Estas denúncias pedem que o conselho investigue a responsabilidade de Sarney na edição de atos secretos no Senado e por suposta participação em um esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural da Petrobras pela fundação que leva seu nome.

 

Caso seja julgado culpado das acusações pelo Conselho de Ética e, ao final do processo, o plenário do Senado endosse a decisão do colegiado, José Sarney pode sofrer penalidades que variam desde uma simples advertência verbal até a perda do mandato parlamentar.

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