Senadores podem rever apoio a Sarney com recesso, diz tucano

Para Dias, contato com as bases mostra que existe apelo popular para que Sarney deixe o comando do Senado

Carol Pires, da Agência Estado,

27 de julho de 2009 | 16h44

O vice-líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), disse nesta segunda-feira, 27, que o fato dos senadores terem visitado suas bases eleitorais durante o recesso parlamentar pode influenciar parlamentares a reverem o apoio à permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado. Dias avalia que existe um apelo popular para que o peemedebista deixe o comando do parlamento e que a proximidade das eleições de 2010, quando acabará o mandato de dois terços dos senadores, pode deixar os parlamentares mais propensos a defenderam o afastamento de José Sarney.

 

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Para Álvaro Dias, entretanto, mesmo que o processo contra José Sarney seja aberto no Conselho de Ética, será muito difícil que o plenário da Casa vote pela cassação do parlamentar, uma vez que o voto é secreto, e a decisão de cada senador não será conhecida pela opinião pública. "No Conselho, pode ser mais fácil, porque o voto é aberto, mas, no plenário, onde o voto é secreto, é mais complicado. Mas temos que considerar que haverá eleições no próximo ano, e os senadores percorreram suas bases neste recesso e certamente perceberam a indignação da população. Não há como superar essa crise sem a solução para este impasse, que convergiu para a figura do presidente José Sarney", disse o senador.

 

O PSDB deve registrar, amanhã, uma representação contra José Sarney no Conselho de Ética, responsabilizando-o pela edição dos atos secretos no Senado e ainda por suposta participação em um esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural da Petrobras pela Fundação José Sarney. As mesmas denúncias haviam sido apresentadas, separadamente, pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O documento seria apresentado ainda hoje, mas o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), optou por estar presente no momento da entrega para dar respaldo político à ação.

 

O PSOL é autor da primeira representação apresentada contra Sarney no Conselho de Ética, também o denunciado por envolvimento na edição dos atos secretos. DEM, PDT e PR devem reunir suas bancadas na volta do recesso para estudar a possibilidade de apresentarem novas denúncias contra o peemedebista. Caso os conselheiros decidam pela abertura de processo e, ao fim do processo, o julguem culpado das acusações, Sarney poderá sofrer punições que variam desde uma simples advertência verbal até a cassação do mandato.

 

Questionado se o PSDB defende a cassação do mandato de José Sarney por quebra de decoro parlamentar, o senador Álvaro Dias esquivou-se de responder afirmativamente. Segundo o senador, a punição para o presidente deve ser decidida pelo Conselho de Ética. "A cassação é a penalidade mais severa, mais rigorosa, até porque há uma exigência maior da população. Mas é o Conselho de Ética que julga", disse.

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