Senadores não crêem em grandes revelações hoje

A expectativa no Senado Federal é de que o confronto entre os senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda e a ex-diretora do Prodasen, Regina Borges, envolvidos na violação do painel eletrônico, pouco acrescentará às investigações. No entanto, a sessão do Conselho de Ética do Senado, que se iniciará às 14h30, poderá criar mais constrangimentos e desgastes políticos ao Senado. Mesmo assim, os senadores estão convictos de que, depois da acareação de hoje - um fato inédito na história do Senado -, será intensificado o corpo o corpo com o objetivo de definir a posição dos 16 integrantes do Conselho de Ética que vão decidir o destino de ACM e Arruda. A maioria dos parlamentares do Conselho acredita que, independentemente do resultado da acareação, há elementos suficientes para a elaboração do relatório final por parte do senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ). Provavelmente o Conselho de Ética só voltará a se reunir na semana que vem para votar esse relatório, que recomendará o tipo de punição a ser aplicada aos dois senadores. A CPI da CorrupçãoDo outro lado da rua, no Palácio do Planalto, as atenções também estarão voltadas para a acareação e, ao mesmo tempo, para a estratégia de impedir a criação da CPI da Corrupção no Congresso. Os líderes dos partidos governistas estão atentos à dissidência de suas bancadas e devem atuar de maneira mais incisiva no momento em que o requerimento for protocolado pela oposição, o que deve ocorrer na próxima quarta-feira. Os líderes oposicionistas apresentaram ontem algumas justificativas para os sucessivos adiamentos da entrega do requerimento da CPI da Corrupção. A motivação principal, no entanto, é a de garantir maior visibilidade ao ato, tornando-o um "evento de mídia". Se fosse protocolado agora concorreria com as notícias sobre os desdobramentos do caso da violação do painel do Senado, alegam. "Isso prova que essa CPI tem caráter político-eleitoreiro", reagiu ontem o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Na semana que vem, a entrega do requerimento teria mais destaque, pois a imprensa estaria ainda aguardando o relatório do senador Roberto Saturnino. Depois da apresentação do requerimento, os líderes governistas tentarão convencer os dissidentes de suas bancadas a retirar as assinaturas. O passo seguinte dessa estratégia, caso instalada a CPI, é o de retardar a indicação dos integrantes da CPI e, possivelmente, apresentar uma questão de ordem alegando a inconstitucionalidade do requerimento por falta de "fato determinado". A apresentação dessa questão de ordem não está decidida pelo governo, mas pode constituir mais um instrumento para retardar o processo, transferindo o debate para decisão de uma das Comissões de Constituição e Justiça, da Câmara ou Senado, dependendo da autoria da contestação. Fontes do governo afirmam que não existe posição fechada sobre a viabilidade de se levar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a discussão a respeito da inconstitucionalidade da CPI. De qualquer forma, o ponto de partida considerado pelo governo continua o de tentar impedir a CPI. "Não por temer as investigações", como disse uma fonte, mas pelo temor de, iniciados os trabalhos na CPI, o País passar a conviver com a paralisia do Congresso. "Não existe temor sobre as investigações até porque o governo já iniciou várias das investigações citadas no requerimento", acrescentou. Neste momento, segundo as mesmas fontes, o que pesa é a preocupação em relação ao desgaste da imagem do País no exterior e o clima de paralisia no Congresso.

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