''''Senadores franciscanos'''' querem carinho, diz Salgado

Um dos expoentes da tropa de choque de Renan, parlamentar mineiro deixa explícita a insatisfação do baixo clero peemedebista com o governo

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

Um dos integrantes da tropa de choque do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) culpou ontem o governo pela rebelião na bancada do seu partido. A conseqüência foi a derrubada da Medida Provisória 377, que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, de Mangabeira Unger, e 660 cargos comissionados em várias áreas. "O PMDB tem sofrido no Senado, precisa de um carinho especial, que o presidente Lula vai dar com certeza", afirmou. Para Salgado, as promessas de cargos não entregues aos "franciscanos" de seu partido - ou "baixo clero" - foi o principal motivo da revolta na base."São senadores franciscanos do PMDB, estão sempre de chinelo, não são cardeais. Disseram: nosso chinelo está gasto, somos franciscanos, mas não dá para andar descalço. Os cardeais levam o recado, mas os franciscanos, nem isso", protestou. Salgado sugere procedimentos simples para acalmar a bancada: "Acho que ele (Lula) pode dar até um chinelinho usado, porque o chinelo dos franciscanos está furado, não agüenta mais machucar o pé. Não é um sapato de cromo alemão que os franciscanos querem, mas um chinelinho novo. Querem prestígio no seu Estado, é só isso."Além da insatisfação com o tratamento recebido do governo, os senadores peemedebistas estão irritados com a cúpula do partido. Alegam que as articulações para livrar Renan da cassação absorveram os líderes e caciques, em detrimento das demandas da bancada. Isso teria levado a uma divisão dos senadores em alto e baixo clero.Nesse racha, o senador Almeida Lima (SE) é um dos poucos que ficou bem, mesmo sem ocupar cargo na liderança. Foi ele quem mais se expôs na defesa de Renan. Como relator, no Conselho de Ética, apresentou um voto em separado pelo arquivamento da denúncia de que o senador alagoano teria contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior.Mesmo depois de Renan ter sido inocentado, ele voltou a agir, pedindo ao Supremo Tribunal Federal (STF) que impusesse o voto fechado no conselho - ainda há outras três denúncias contra o senador. A ação foi rejeitada, mas Renan mobilizou a estrutura do partido para entregar a Almeida Lima o comando do partido em Sergipe."A questão de fundo não são os cargos, é a falta de diálogo", alega o senador Valter Pereira (MS), autor do parecer pela rejeição da MP. "A interlocução do PMDB não está sendo feita: chega um projeto, o líder discute com outras lideranças e manda o texto para o plenário sem ouvir a bancada", diz. "O movimento é para deixar de ser uma manada para ser bancada."MANTEGAO ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou ontem de cochilo da base a não aprovação da MP. Ele avisou, porém, que o governo está buscando alternativas, como a criação de um ministério especial com as mesmas atribuições da secretaria de Mangabeira."Não é um dano irreparável. Estamos encontrando os meios para recriá-la", frisou ele, em entrevista na sala Vip do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Há duas opções - um projeto de lei ou uma nova MP. "Já na segunda ou terça-feira teremos isso resolvido."

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