Senadores do PT se articulam em defesa de Mercadante

A bancada do PT no Senado se articulou para abafar a repercussão das denúncias contra o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Os petistas apostam no silêncio da oposição, que ainda não levantou a polêmica na Casa, e na disposição de falar do ministro. A estratégia é levá-lo à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na próxima semana, considerada um foro seguro e oportuno à defesa do ministro.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

21 de junho de 2011 | 20h03

A ideia é transformar a audiência pública para a qual Mercadante foi convidado a apresentar o plano de inovação em ciência e tecnologia 2011-2014 num palanque para a defesa do ministro. A avaliação é de que Mercadante será bem acolhido na Casa, onde cumpriu mandato até 2010 e chegou a presidir a CAE - hoje sob comando do também petista Delcídio Amaral (MS). A audiência está agendada para a próxima terça-feira.

"Ele (Mercadante) quer vir, ele está com vontade de falar. Vai responder o que a oposição lhe perguntar", relatou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), autor do convite ao ministro, e que conversou por telefone com o correligionário. Segundo Farias, Mercadante afirmou que deseja esclarecer os novos fatos sobre o "dossiê dos aloprados" revelados pela revista Veja e responder a todas as perguntas da oposição sobre o caso.

"Ele passou por todas as baterias, foi absolvido em todas as instâncias judiciais", argumentou o senador Walter Pinheiro (PT-BA), lembrando que o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou o processo que investigava o envolvimento de Mercadante na compra de um dossiê contra o tucano José Serra nas eleições de 2006. "Ele está muito tranquilo", concluiu.

Escaldados pelo episódio que levou à derrocada do ex-ministro Antonio Palocci, os petistas consideram que o silêncio sobre as denúncias não é a melhor estratégia. Ponderam que Palocci decidiu falar tarde demais e, portanto, aconselharam Mercadante a não se calar. Ontem, Mercadante declarou, durante um evento em Fortaleza, que está disposto a "participar de qualquer foro em qualquer momento" para debater o assunto.

Reportagem da revista Veja apontou o ministro como um dos mentores da compra de um dossiê contra o tucano José Serra em 2006. O episódio ficou conhecido como "dossiê dos aloprados". Em entrevista, Expedido Veloso, um dos petistas envolvidos no caso, afirmou que o ministro era responsável por arrecadar parte do R$ 1,7 milhão que seria usado para a compra de informações e acabou apreendido pela Polícia Federal (PF) às vésperas da eleição.

PMDB

Mercadante não deve contar, entretanto, com o mesmo apoio ostensivo que o PMDB ofereceu a Palocci. Perguntado se o partido sairia em defesa de Mercadante caso a oposição inflamasse a denúncia, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), apenas lembrou que o petista "não é mais senador".

Ainda senador, Mercadante se indispôs com o PMDB. Em 2007, quando Renan, então presidente do Senado, era alvo de denúncias de quebra de decoro, o petista foi à tribuna cobrar a renúncia do peemedebista. Depois, em 2009, quando o protagonista dos escândalos era o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), Mercadante declarou que renunciava "em caráter irrevogável" à liderança do PT por ser obrigado pelo Planalto a defender o aliado. Acabou recuando, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Oposição

Enquanto no Senado a oposição não se manifestou sobre as novas denúncias contra Mercadante, a bancada tucana na Câmara protocolou três requerimentos de convocação do ministro - nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle, de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e de Ciência e Tecnologia - a fim de que ele esclareça sua participação no episódio do "dossiê dos aloprados". Amanhã, o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), deverá protocolar representação no Ministério Público Federal requerendo a reabertura das investigações sobre o caso. O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), também assina o requerimento.

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