Senadores de seis partidos lançam ofensiva para tirar Renan

Parlamentares da oposição e da base acertam medidas 'com o objetivo de restaurar a credibilidade no Senado'

CIDA FONTES E CHRISTIANE SAMARCO, Agencia Estado

13 de setembro de 2007 | 16h00

Um grupo de senadores do PSDB, DEM, PDT, PSB, PMDB e PSOL acertou um conjunto de medidas com o objetivo de restaurar a credibilidade no Senado e atuar de forma unida nas votações. Entre as decisões, está a de não participar de reunião de líderes com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).      Veja Também:      Saiba tudo sobre o Caso Renan e dê sua opinião    "Estamos demarcando o nosso território", afirmou o líder do DEM, senador José Agripino (RN). No Legislativo, ficou acertado que eles apresentarão pedido de urgência para a aprovação dos projetos de resolução que tornam abertas as sessões destinadas a votar perda de mandato, hoje secretas, e fim do voto secreto em plenário para a cassação de mandato. O fim do voto secreto exigirá uma proposta de emenda constitucional, uma vez que está previsto na Constituição. Três propostas sobre o fim do voto secreto já tramitam na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em outro projeto a ser apresentado por um dos integrantes do grupo, será estabelecido o afastamento automático de senadores que ocupem cargos em comissões, Mesa Diretora e no Conselho de Ética quando for aberta uma investigação contra eles por quebra de decoro parlamentar.Do ponto de vista político, os senadores decidiram não votar mais nenhum crédito suplementar por medida provisória e fazer uma rigorosa análise da relevância e urgência das medidas provisórias antes das votações. A idéia é adotar uma espécie de pauta seletiva com matérias que precisam ter prioridade e têm interesse da população. Essas medidas foram acertadas durante almoço no gabinete do presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati.   'Daqui não saio'   Um dia após ser absolvido da primeira acusação de quebra de decoro parlamentar, o presidente do Senado deixou claro que vai permanecer do cargo, descartando a hipótese de uma licença, sugerida pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP).   Um dos líderes do governo confidenciou ao Estado que a estratégia do Planalto no julgamento contra Renan era dar "uma demonstração incontestável de que estava ao lado dele". Com isso, poderia cobrar dele que "fizesse a sua parte": pedisse licença, deixando o Senado sob o comando do primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC).   Renan resiste e proclamou também que, por ter sobrevivido a uma campanha que tentava substituí-lo sem apresentar provas de irregularidades, está apto a comandar votações polêmicas como a prorrogação da CPMF.   "Se eu não tiver condições de presidir o Senado, quem é que vai ter, num quadro de absoluta divisão?", perguntou, durante entrevista nesta quinta-feira, 13, à Rádio Gaúcha.  E considerou sua absolvição no processo de cassação como uma espécie de recondução ao cargo.  "Fui eleito a primeira vez com 56 votos, a segunda, com 41 votos, e agora tive 40 votos. (O resultado) foi um renovação de voto (dos senadores) em seu presidente", afirmou. A avaliação do Planalto é de que, com a licença, seria possível baixar a temperatura da crise e ao menos adiar a abertura do processo sucessório para o comando do Senado, que certamente vai tumultuar ainda mais o ambiente político. Setores do governo e do próprio PMDB começaram a trabalhar para que Renan se licencie. Neste caso, quem estará no comando da sessão que vai votar a emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) será o PT.   Também ao Estado, um interlocutor do Planalto explicou que a articulação pela licença não é para já. Renan, segundo esse interlocutor, pode aproveitar o fim de semana para capitalizar a vitória em Alagoas, licenciando-se na semana que vem.  Já Renan, para justificar sua convicção de que deve permanecer no cargo, deu a entender que manteve sua capacidade de articulação política, necessária para fazer funcionar uma Casa dividida. O resultado da votação que o absolveu, por 40 votos contra 35 e seis abstenções, seria uma demonstração de força porque, ao longo de 110 dias de processo e de muitas acusações, o senador diz ter perdido apenas cinco apoios.   "Não adianta tirar o presidente do Senado sem ter provas e colocar alguém com menos capacidade de conversação, de articulação, porque, ao invés de melhorar, as coisas vão piorar", sustentou Renan, que qualificou a absolvição como sua terceira eleição para a presidência do Senado. "Foi uma renovação da confiança da Casa no seu presidente", afirmou.   Para o ataque   O senador alagoano também atacou seus adversários e a imprensa. "Os acusadores não apresentaram uma prova sequer de nada, acusaram por acusar, por ouvir dizer, e nada do que eu disse foi editado da forma que eu disse, mas sempre de uma forma a me prejudicar", reiterou. "Me acusaram dizendo que era uma questão política e que como questão política tinha que ser resolvida, mas retrucamos que era uma questão jurídica, que tinha que ter prova, delito e crime para ter uma condenação".   Ao falar de suas relações com a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos fora do casamento, Renan sustentou que assumiu suas responsabilidades, registrou a paternidade, paga pensão e não misturou questões pessoais com sua atividade política.   O senador recorreu a uma hipótese para justificar suas explicações. "Bastava que eu contratasse a produtora de televisão da Mônica Veloso e pago aqui no Senado, aí sim era motivo de cassação porque estaria misturando o público com o privado".   Absolvido em sessão secreta, Renan admitiu que é contra o voto aberto em situações específicas, para que o eleitor fique protegido de pressões políticas, econômicas e da imprensa, que, segundo o senador, "nos momentos de crise vira partido político".   Entre as informações que Renan considera deturpadas estão suspeitas sobre suas atividades agrícolas. O senador afirmou que a fazenda que possui em Alagoas é do espólio de seu pai e está com a família há 35 anos. E também assegurou que os processos que ainda vai enfrentar, por suposto uso de laranjas em empresas de comunicação e associação com lobistas, não vão encontrar nada. "Vai ser impossível provar isso porque isso jamais aconteceu".   Durante a entrevista, Renan anunciou que vai passar uns dias recolhido para descansar com a família, depois de 110 dias de trabalho ininterrupto. "Quem mais perdeu com esse processo todo fui eu, porque a fama é efêmera, mas a infâmia é eterna", ressaltou.

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