Senadores de oposição decidem criar CPI da Infraero

O governo sofreu um revés na tentativa de esvaziar a CPI do Apagão na Câmara. Os senadores da oposição tiveram a iniciativa de criar uma comissão parlamentar de inquérito para investigar irregularidades na Infraero e em outros órgão ligados à aviação civil do País. A decisão, analisada pelos líderes e presidentes do DEM (ex-PFL) e PSDB, será formalizada nesta quarta-feira, 11, em reunião das bancadas dos dois partidos. Até então renitente à idéia, o líder tucano, senador Arthur Virgílio (AM), disse que a CPI do Apagão do Senado se tornou imprescindível depois que parlamentares ligados ao Palácio do Planalto e até mesmo ao ex-presidente da Infraero, deputado Carlos Wilson (PT-PE), procuraram chantagear a oposição. "Foram duas coisas que mexeram muito com o PSDB e, pelo que vi, mexeram muito com o PFL (atual DEM)", afirmou.A primeira chantagem, segundo frisou, foi a de terem insinuado que haveria certos contratos irregulares da Infraero, da época do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a exemplo do que fizeram para impedir a CPI do Banestado e a dos Correios. "É a mesma conversa que vem ficando antiga e recorrente", justificou. O outro fato foi a declaração de Carlos Wilson - segundo o líder - de que há necessidade de investigar as obras da Infraero na Bahia. Virgílio afirmou que tampouco é aceitável os "sussurros" dos governistas de que, a investigação da CPI pode provocar uma crise militar "porque supostamente haveria parlamentares envolvidos com a corrupção na Infraero. "Não são sussurros honestos porque colocam as forças armadas sob suspeição", defendeu. Ele alegou que, mesmo se fosse esse o caso, não caberia aos parlamentares se omitirem da investigação. "Não temos o menor compromisso em defender quem pratica corrupção, seja à paisana ou fardado", argumentou.Na reunião em que estavam presentes também os líderes da Câmara - Onyx Lorenzoni(DEM-RS) e Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) - e o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE) -, ficou descartada a possibilidade da criação de uma CPI mista. De acordo com o líder José Agripino (DEM-RN), se o Supremo Tribunal Federal (STF) mandar instalar a CPI do Apagão da Câmara, funcionarão as duas CPIs, uma em cada Casa, a exemplo do que ocorreu há seis anos na investigação de irregularidades nos clubes de futebol.

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