Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Senadores criticam uso de recursos públicos para beneficiar candidato de Bolsonaro

Antes de iniciar a votação, porém, três abriram mão da disputa em favor de Simone Tebet (MDB-MS)

Daniel Weterman e Pedro Caramuru, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 17h25

BRASÍLIA - Candidatos à presidência do Senado acusaram o governo federal de liberar recursos públicos para favorecer o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), favorito para vencer a disputa nesta segunda-feira, 1º. Adversários de Pacheco na eleição interna, Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Lasier Martins (PSD-RS) citaram reportagem do Estadão que revelou a distribuição de R$ 3 bilhões em verbas extras para 250 deputados e 35 senadores em meio à eleição do Congresso. Major Olímpio (PSL-SP) também atacou a "interferência criminosa" do Palácio do Planalto. Antes de iniciar a votação, porém, os três abriram mão da disputa em favor de Simone Tebet (MDB-MS).

Lançado pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), Pacheco é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, assim como Arthur Lira (Progressistas-AL), na Câmara. Além disso, conforme a reportagem mostrou, nesta segunda-feira, 1, o governo pagou um volume recorde de emendas parlamentares em janeiro.

"(Pacheco) vai ser 'office boy' de luxo e ter dois patrões, não terá independência, será também subserviente", afirmou Kajuru, dirigindo-se ao candidato do DEM no plenário. O senador do Cidadania afirmou que Alcolumbre deveria pedir perdão a Deus após sua gestão: "Não deveria pedir proteção a Deus, deveria pedir, sim, perdão a Deus".

Kajuru foi um dos parlamentares que apoiaram Alcolumbre na disputa pela presidência do Senado em 2019. O grupo do qual Kajuru faz parte, porém, minoritário na Casa, rompeu com o atual chefe do Legislativo. "Sei que não vou ter mais a amizade dele e nem a relação dele, Davi Alcolumbre. Com toda franqueza, me lixei", afirmou o parlamentar.

O senador do Cidadania declarou ter chorado quando o MDB passou a negociar cargos com Rodrigo Pacheco, abandonando Simone Tebet (MDB-MS) na disputa pela presidência do Senado. Apesar de ter lançado sua candidatura, Kajuru fez questão de afirmar que votará na senadora do MDB.  “Se não for você a vitoriosa, como, se Deus quiser, será, tenha a certeza de que você saiu muito maior do que você era. Muito maior depois de tudo que aconteceu. E este presidente que está aqui, Davi Alcolumbre, saiu muito menor. Ele que já perdeu eleição municipal lá (em Macapá), é perigoso não ganhar eleição nem para síndico.” 

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Ao discursar na tribuna do Senado, Lasier foi na mesma linha. "Esta verba distribuída nos últimos dias, R$ 3 bilhões, está fazendo falta para o Bolsa Família, auxílio emergencial, nesta época minguada de recursos do governo federal com o maior rombo da história do Brasil de R$ 743 bilhões de deficit primário", discursou o senador. "Teve dinheiro para contemplar seletivamente vários senadores. Isso é compra de votos, descaradamente é compra de votos."

Para Lasier Martins, a verba vai pulverizar os recursos federais ao destinar recursos para parlamentares aliados, e não uma distribuição igualitária. "Numa época em que a União está à míngua de recursos, os Estados estão à míngua e os municípios também. Isto equivale a dizer que está configurado tráfico de favores." O senador declarou ainda que, diante do cenário, o governo federal vai "controlar" a pauta do Senado.

Também adversário de Pacheco, o senador Major Olímpio (PSL-SP) criticou a interferência "escrachada e criminosa" do Planalto na disputa. "É preciso mostrar a interferência escrachada, criminosa sob aspecto orçamentário, com oferta de emendas e indevida do Executivo, comprando consciência e votos. Sei que não tenho chance, mas quero deixar claro que não participo desse conluio", afirmou Olímpio em seu Twitter. Ele retirou sua candidatura logo em seguida.

Única a permanecer na disputa contra Pacheco, Tebet disse que pode  oferecer aos colegas exclusivamente "trabalho conjunto". “Não tenho cargos a oferecer, não tenho emendas extraordinárias a oferecer aos senhores, não tenho apoios políticos oficiais de quem quer que seja, a não ser os apoios mais espontâneos e legítimos vindos dos diversos segmentos da sociedade. O que tenho a oferecer é um trabalho conjunto”, afirmou a senadora.

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