Senadores cobram punição para Demóstenes

Seis senadores se pronunciaram em plenário na sessão de votação do processo de perda de mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de defender os interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Os parlamentares cobraram punição para Demóstenes e defenderam a aprovação da proposta que acaba com o voto secreto para processos de cassação. A sessão conta com a presença de 80 senadores, apenas Clovis Fecury (DEM-MA) faltou à sessão.

RICARDO BRITO, Agência Estado

11 de julho de 2012 | 12h37

Primeiro a falar, o senador Mário Couto (PSDB-PA) defendeu que o caso de Demóstenes é indefensável. Couto lembrou que o senador goiano admitiu que a voz gravada era dele. "É impossível defender o indefensável. Os fatos são comprovados", disse. "Talvez hoje esta Casa mostre ao País um pouco de moralidade".

A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que os parlamentares têm que cumprir o "dever constitucional" para o qual todos foram eleitos. "Na política, em especialmente, vale a mulher de Cesar: não basta ser honesta, precisa também parecer honesta", afirmou. Ana Amélia lembrou que um "legado importante" do processo foi a aprovação, em dois turnos pelo plenário do Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui o voto aberto para cassação de mandato.

Logo após, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) se disse traído e ludibriado pelo colega goiano. "Não pode passar pela cabeça de qualquer pessoa em sã consciência que o senador Demóstenes Torres desconhecia as atividades do senhor Carlos Cachoeira e mantinha com ele uma despretensiosa relação de amizade", ponderou.

Ferraço afirmou que é preciso "perdoar o pecador, mas não o pecado". "O que está em jogo não é um mandato parlamentar, mas a reputação do Senado Federal", disse. O senador capixaba espera que esta seja a última votação em que se aprecia um processo de cassação de forma secreta. "O modelo institucional atual visa estabelecer o controle do estado pelo cidadão".

O senador João Capiberibe (PSB-AP) disse que, na política, é "impossível que sejamos ingênuos". Assim como Ricardo Ferraço, ele questionou o fato de Demóstenes ter convivido durante tanto tempo com Cachoeira sem saber das atividades ilícitas dele.

O presidente do Conselho de Ética, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), também fez coro na defesa do voto aberto. "Agora que vivemos numa democracia plena, onde todos os valores são assegurados pela Constituição e pela lei, o voto secreto não mais se configura uma necessidade", disse ele. Sem revelar sua posição, Valadares pediu para que os colegas acompanhem o voto dado por ele no colegiado - favorável à cassação.

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