Senadores apontam tráfico de influência e vão tentar convocar Palocci

Oposição também vai começar a recolher asssinaturas para instalar uma CPI

Mariangela Gallucci,

22 de maio de 2011 | 16h44

Depois do fracasso na Câmara, desta vez são os senadores da oposição que vão tentar convocar o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para que ele explique numa comissão os negócios da empresa Projeto Consultoria Financeira e Econômica Ltda. Os senadores mostraram neste domingo, 22, em entrevistas ao Estado, estarem convencidos de que os negócios do ministro indicam "tráfico de influência".

 

 

Paralelamente à tentativa de convocação para Palocci depor nesta semana, senadores e deputados da oposição vão começar a coletar assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Eles contam conseguir as 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores com a ajuda de parlamentares governistas. O requerimento prevê uma CPI mista e, uma vez conseguido o apoio legal necessário, a presidência do Congresso não pode barrar a instalação da comissão de inquérito.

 

 

Os senadores reconhecem que será difícil conseguir o número necessário de assinaturas para a instalação da CPI. "Tem muitos governistas incomodados com a situação. Gente que, reservadamente, concorda conosco que ele deveria vir a público se explicar", disse o senador Demostenes Torres (DEM-GO). "A CPI se justifica pela gravidade dos fatos. O importante não é só saber quanto ganhou Palocci e sim saber quem e quanto ganharam os que se valeram do tráfico de influência exercido por ele", disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

 

 

 

"Nós temos de endurecer o discurso porque está passando a ideia de impunidade. Não há nenhuma atitude vigorosa da presidente da República diante de um escândalo que ganhou proporção e está na boca de todos os brasileiros. E há uma exigência da sociedade para que sejam tomadas providências. Como o governo não adota providências e continua com o modelo anterior de passar a mão na cabeça dos que cometem deslizes, a oposição tem de endurecer o discurso", afirmou Alvaro Dias.

 

 

 

A oposição vai pressionar para que Palocci seja convocado a se explicar no Congresso. E também para que o Ministério Público abra uma investigação formal contra o ministro. "Vamos continuar pressionando", afirmou o senador José Agripino (DEM-RN).

 

 

 

Para Agripino, o Ministério Público não terá outra saída a não ser pedir no Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito contra Palocci. "As evidências são tão fortes e não há como fugir da investigação, principalmente quando considerado o faturamento nos dois meses após a eleição (R$ 10 milhões, em novembro e dezembro de 2010), quando a presidente já estava eleita e estava clara a influência do ministro", afirmou. Agripino disse que o Ministério Público tem a obrigação de zelar pelo interesse da sociedade e, por esse motivo, deve abrir a investigação contra Palocci.

 

 

 

Demóstenes Torres afirmou que nesta semana uma outra petição será encaminhada ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mostrando fatos novos revelados pela imprensa nos últimos dias que, segundo ele, têm de ser apurados. Será uma espécie de aditamento à representação protocolada na Procuradoria na semana passada por partidos de oposição. Na sexta-feira, Gurgel enviou um ofício a Palocci pedindo que o ministro se manifeste sobre o crescimento do patrimônio relatado na representação.

 

 

 

"O aumento de patrimônio foi de 60 vezes e não de 20", disse Torres. Para o senador, é estranho que a empresa de Palocci tenha faturado tanto sem ter estrutura. Demóstenes disse que aparentemente Palocci ganhou quase o mesmo que empresas grandes, "que têm milhares de clientes e centenas de funcionários". Conforme o senador, outro fato relevante é a existência de "cláusula de sucesso" nos contratos. "Consultoria é opinião. Cláusula de sucesso é empenho. Dá a ideia de que ele realmente praticou tráfico de influência", afirmou o senador.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.