Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Senadores acusam 'armação' na Venezuela para impedir visita a presos

Parlamentares que participam de visita ao país em apoio à oposição do país vizinho

Erich Decat, enviado especial, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2015 | 16h19

Caracas - Integrantes da comitiva de senadores em Caracas alegam ser alvo de uma "armação" para tentar impedi-los de cumprir a agenda junto a políticos opositores ao governo de Nicolás Maduro. Neste momento, depois de ficar parado em uma das vias de acesso ao presídio próximo ao bairro Montesano, o ônibus com os parlamentares brasileiros acabou retornando ao aeroporto. Os senadores viajaram à capital venezuelana para tentar visitar Leopoldo López, preso por atuar como líder oposicionista ao governo venezuelano Nicolás Maduro.

"Falamos com o embaixador brasileiro, agora. É o Congresso Nacional brasileiro que está sendo atingido. Isso não aconteceria, essa exposição dos senadores, e dos riscos que estamos passando, se, de alguma forma, não houvesse conivência do governo. Solicitamos ao embaixador que faça uma reclamação formal pelo que aconteceu. Estamos em uma visita oficial. Não podemos estar expostos desse jeito", afirmou Aécio.

O senador Ricardo Ferraço afirmou que a paralisação da comitiva revela que a visita dos senadores brasileiros é indesejada. "Essa é a constatação de que nossa visita é indesejada. É incompreendida. Tudo é fruto de uma armação para tentar impedir a nossa agenda. Percebo que há uma planejamento para não deixarem cumprir a nossa agenda", afirmou o senador, sem citar que estaria fazendo tal "armação".

A comitiva de senadores está sendo acompanhada por batedores venezuelanos, o que não impediu que eles ficassem parados no caminho do presídio onde iriam visitar Leopoldo López. Antes de ficarem paralisados em uma das vias de Caracas, o ônibus com parlamentares brasileiros foi alvo de manifestantes, que aproveitaram o engarrafamento para protestar contra a vinda de parlamentares brasileiros com gritos como "Chávez não morreu se multiplicou" e " Fora, fora".

As hostilidades começaram logo depois de os senadores deixarem a base aérea, onde tiveram que "furar" o cerco dos batedores. A comitiva é formada pelos senadores Aécio Neves (PSDB), Aloysio Nunes (PSDB), Cássio Cunha Lima (PSDB), Ronaldo Caiado (DEM), Agripino Maia (DEM), Sérgio Petecão (PSD) Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e José Medeiros (PPS-MT). 

A visita dos parlamentares brasileiros à Venezuela foi considerada pela deputada Maria Corina Machado, oposicionista a Maduro, "um gesto histórico". "O governo da Venezuela não quer que o mundo conheça a nossa realidade de perseguição da imprensa e separação dos poderes", disse. 

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