Senadora nega perseguição de ruralistas ao MST

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), negou hoje que as bancadas ruralistas do Senado e da Câmara estariam perseguindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao tentar instalar, pela segunda vez, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostas irregularidades em contratos com o governo. A afirmação de uma possível perseguição teria partido do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, durante audiência pública no Congresso realizada nesta manhã.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

13 de outubro de 2009 | 15h48

"Não estamos atrás de perseguir ninguém", afirmou. Segundo a senadora, há uma denúncia de desvio de dinheiro público e é obrigação das Casas investigá-la. "Ele (o ministro) não estaria tão empenhado em tentar evitar a instalação da CPMI se quisesse mesmo saber o que está acontecendo", disse a senadora.

"Cassel estaria do nosso lado e não forçando a barra para a CPMI não sair", acrescentou, argumentando que a primeira tentativa de instalar a comissão não surtiu efeito por conta da retirada de assinatura de parlamentares da base governista, que teriam sido pressionados a assim agir.

Para evitar que a CPMI não emperre novamente, os parlamentares montarão uma estratégia ainda na tarde de hoje. "Não devemos protocolar o pedido de criação da CPMI hoje. Queremos assegurar o comprometimento do Sarney (presidente do Senado, José Sarney) com a comissão", afirmou.

Uma possível estratégia dos deputados e senadores empenhados em criar a CPMI seria a de obstruir a pauta de votação. A intenção é a de manter em sigilo, até o momento considerado adequado, os nomes dos parlamentares que já assinaram o requerimento. De acordo com Kátia, há um número maior de rubricas do que a exigida pelas Casas.

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