Senadora Kátia Abreu elogia ajuste fiscal de Dilma

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), uma das mais ativas parlamentares da oposição, usou a tribuna do Senado ontem à noite para fazer elogios à política de ajuste fiscal do governo e à decisão da presidente Dilma Rousseff de fixar o salário mínimo em R$ 545. O DEM queria R$ 560.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

02 de março de 2011 | 18h16

Kátia subiu à tribuna em nome da liderança do partido, sob o argumento de que criticaria a medida provisória que capitaliza o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas acabou por fazer tantos elogios ao governo que mais parecia uma senadora da base aliada.

Começou por justificar sua decisão de apoiar os R$ 545 para o mínimo e não o que indicavam seu partido e a oposição. "A presidente (Dilma Rousseff) apresentou um salário possível, compatível com a realidade atual, anunciou um corte de despesas significativo, de R$ 50 bilhões", disse a senadora, para surpresa de todos, governo e oposição.

E continuou: "Os economistas, inclusive, indicam que deveria ser de R$ 60 bilhões e que, ainda assim, deveríamos subir 1% a taxa de juros, não por gosto, mas pela necessidade por que o País está passando neste momento". Ela disse que votará a favor de qualquer medida, por mais impopular que seja, desde que vise o ajuste fiscal e mesmo que contrarie seu partido: "Cumpri a minha palavra. Deixei de votar com o meu partido. Votei com o Brasil, votei contra a inflação".

Em seguida, ela disse que muitos amigos a criticaram, dizendo que não adiantava colaborar com o arrocho, porque o governo não estaria disposto a reduzir gastos. "Agradeci a crítica, mas disse que tinha votado com a minha consciência, como senadora do Brasil, e votaria de novo os R$ 545, apostando e acreditando no controle da inflação, porque não adianta um salário mínimo de R$ 1 mil com uma inflação que pode consumir, e deverá consumir, o salário do trabalhador deste País".

Para Kátia Abreu, a presidente Dilma Rousseff apresentou um salário mínimo possível, compatível com a realidade atual. Ela lembrou que o governo fez o anúncio de um corte de despesas significativo, de R$ 50 bilhões. Para ela, os cortes são necessários, porque hoje a inflação não é localizada, mas global. A senadora disse que hoje o futuro é incerto, porque há a crise árabe e pode haver uma explosão no preço do petróleo.

Também presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia afirmou que hoje o mundo vive uma inflação de alimentos. "As commodities de alimentos e metais estão subindo, e a tendência é de subir cada vez mais, porque os estoques estão baixos. Os estoques de todos os produtos estão baixíssimos", disse.

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