Senadora ganha espaço no PMDB após desgaste de cúpula da sigla

No primeiro mandato, a senadora Simone Tebet chegou a recusar os cargos de líder do governo na Casa e de ministra do Planejamento no lugar de Jucá

Julia Lindner e Isabela Bonfim, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2016 | 10h27

BRASÍLIA - Com seus caciques sob a mira da Justiça, o PMDB abriu espaço para uma nova liderança. Em seu primeiro mandato, a senadora Simone Tebet (MS) ganhou destaque no Senado ao comprar a briga da base do presidente em exercício Michel Temer na comissão do impeachment. A senadora chegou a recusar os cargos de líder do governo na Casa e de ministra do Planejamento no lugar de Romero Jucá (RR) ao argumentar que poderia contribuir mais nos trabalhos legislativos. É ela quem traça as estratégias e lidera 14 parlamentares no colegiado mais importante do Congresso.

É no gabinete de Simone que os governistas se reúnem antes das audiências para ouvir às instruções, incluindo o líder do governo, Aloysio Nunes (PSDB-SP). Segundo a senadora, os encontros acontecem em sua sala porque os parlamentares “gostam do espaço”. Foi dela a ideia de encurtar o processo de impeachment. Também foi Simone quem orientou a base de Temer a não fazer mais perguntas para os depoentes na comissão. A atitude garantiu que o calendário fosse seguido mesmo com os imbróglios da oposição.

Filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet, morto há dez anos, Simone acompanhou o pai desde cedo nos bastidores da política e diz que não se considera parte da “nova safra” no PMDB devido à desigualdade de gênero na política. “Não tenho vergonha nenhuma de assumir isso. De certa forma, eu entrei na política pelo sobrenome do meu pai, depois tive que seguir sozinha, mas quem me empurrou dentro da política foi um homem. Eu não tive condições de dizer que andei com as minhas próprias pernas, e a maioria das mulheres que tenta tem muita dificuldade”, criticou.

Gênero. Simone se tornou a primeira prefeita de sua cidade, Três Lagoas, e a primeira vice-governadora do Mato Grosso do Sul. Hoje, ela preside a Comissão de Combate à Violência Contra a Mulher. Antes da polêmica sobre a falta de mulheres no Ministério do presidente interino, ela diz ter alertado os ministros interinos. “Eu fui a primeira a falar disso. Sugeri que seria fundamental rever a própria Secretaria da Mulher, Direitos Humanos e Juventude voltar a ser um ministério. E advogo que a ministra tem que ser uma mulher que não seja nem do Congresso, e sim uma técnica.”

A senadora diz não ter medo de fazer “críticas ácidas” a quem quer que seja. “Imagine um presidente eleito ter que negociar – e aí a negociação infelizmente muitas vezes deixa de ser republicana – cargos e ministérios para ter apoio para aprovar projetos importantes para a sociedade. Isso é o fim. Essa é a raiz de toda a corrupção”, justificou.

Inquéritos. Apesar do discurso anticorrupção, Simone é acusada de crime de responsabilidade. Em seu nome, há dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal envolvendo uma obra em Três Lagoas. Acusada de desvio de verbas públicas e de favorecer uma empresa em uma licitação, Simone afirma ser inocente. “Ser executivo no Brasil hoje é se sujeitar, justamente por conta dessa exacerbação, de todo mundo achar que por que é político é corrupto.”

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