Senadora decide amanhã se deixa CPI dos Cartões

Oposição diz que, em protesto, também pode sair da comissão

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

A presidente da CPI dos Cartões mista, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), decide amanhã se deixa o cargo, em protesto por considerar que o governo tem boicotado as investigações. Ela afirma que estaria violentando sua carreira política se continuar ocupando seu tempo com a "farsa" montada pelos aliados do governo na comissão. Em pouco mais de um mês, eles rejeitaram todos os requerimentos de convocação de autoridades, entre eles o da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os que pediam a quebra do sigilo dos cartões da Presidência. "Não irei pactuar com isso, estou lá para fazer um trabalho sério e não para brincar", argumentou.A tentativa do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, de frear a CPI do Senado, ao consentir o avanço das apurações da comissão mista, foi rejeitada pela senadora. Ela alega que não tem por que prosseguir, se sentir que tudo não passa de encenação. "Se não tiver elementos de trabalho, eu não fico", reiterou. Marisa avisou que, se deixar o cargo, caberá ao relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), decidir se convocará o vice-presidente, deputado Marcelo Melo (PMDB-GO).A saída de Marisa deverá inviabilizar de vez os trabalhos da CPI, já esvaziada desde que ficou clara a tática do Planalto de vetar a investigação. A oposição deve acompanhar a senadora, renunciando aos postos. "Seremos solidários a ela em qualquer circunstância", antecipou o líder do DEM, José Agripino (RN). "Se a base do governo insistir em nada aprovar, não há por que continuar", acrescentou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).?FALSA IMPRESSÃO?Titular da comissão mista, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), indicado para a CPI do Senado, disse ter informações sobre a autorização para a comissão aprovar amanhã alguns requerimentos, todos eles, segundo o senador, "na base da perfumaria, dando uma falsa impressão de que os governistas querem prosseguir com os trabalhos". "É uma tentativa de empurrar a CPMI, de impedir que a sua dissolução fortaleça a CPI do Senado", alegou.Criada na terça-feira passada, a comissão de senadores só teve preenchidas até agora as três vagas do DEM e do PSDB. O preenchimento das 11 vagas de titular é igualmente difícil para a oposição, que terá de "disputar" com oito representantes de partidos aliados.

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